quinta-feira, junho 21, 2018
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Não é notícia nova dizer que mais de 50% da população brasileira é composta por afrodescendentes – inclusive, aqui mesmo no Black Money já abordamos esse assunto diversas vezes. É muito contraditório, portanto, que o negro ainda seja tão mal representado (isso quando é representado) em diversos setores da sociedade. Hoje, o nosso assunto será o poder de compra dos consumidores desse grupo e, mais do que isso, o que eles esperam do mercado atual.

 

Primeiramente, vamos a um breve panorama: de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), entre toda a população que paga impostos, 15% são pardos ou negros. Essas duas etnias também representam cerca de 10% dos ricos brasileiros. Agora, um dado ainda mais impactante para a análise de consumo e poder de compra: 47% dos negros, quase a metade deles, têm a chance de ter uma renda superior à dos pais.

 

Para qualquer empresário, essa informação deveria soar como um sinal de alerta, pois aponta para uma tendência muito clara: o poder de compra da comunidade afrodescendente está crescendo, logo, é um mercado promissor a ser explorado. Na prática, entretanto, não é isso que acontece.

 

O que alguns especialistas em economia e empreendedorismo observam é que, nos últimos anos, tem havido um esforço por parte das empresas de cosméticos em levar o seu produto para os negros, especialmente as que se voltam para a classe média. Dentro desse segmento, é possível ver pessoas negras estrelando campanhas publicitárias e produtos específicos para os cuidados diários da pele e dos cabelos dos afrodescendentes. Inclusive, muitas empresas vão além e se engajam na causa do “ser bonito é ser natural”, incentivando os negros a assumirem seus cabelos cacheados, por exemplo.

 

No entanto, quando pensamos em outras categorias de produtos, percebemos que ainda não há um esforço no sentido de incluir essa parcela da população. Essa percepção é ainda mais clara quando pensamos em bens de posse e produtos que são sinônimos de status social, desde roupas de grife até caríssimos carros importados.

 

É como se o negro não fosse o público-alvo desses produtos de valor mais elevado, mesmo que uma porcentagem da população afrodescendente tenha recursos para adquiri-los. As empresas, especialmente no setor de publicidade, pecam muito nesse sentido, porque ampliam ainda mais o abismo simbólico existente entre brancos e negros.

E por que estamos frisando as campanhas publicitárias nessa discussão sobre poder de compra? Simples: porque são elas que geram a identificação do consumidor com o produto em questão. Quando o negro não se vê representado nessas campanhas, automaticamente é mais difícil que ele construa essa identificação, entendendo que aquele produto também é feito para ele.

 

A verdade é que, quase sempre, o produto não é feito para ele. Em uma sociedade racista como a nossa, ainda existe a ideologia de que o negro não pode andar em um carro de luxo ou com roupas das grifes mais caras. É como se esse mundo não lhe pertencesse. E os empresários têm perdido dinheiro com esse pensamento. Merecidamente.

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