Epsy Campbell é a primeira Mulher Negra a ser vice presidente na América Latina

Epsy Campbell tornou-se a primeira mulher negra a ser vice presidente na América Latina em um período em que estamos sedentos de representatividade na política e em outros espaços.
A afro costarriquenha é economista e possui histórico como deputada e fundadora do PAC (Partido da Ação e Cidadania). Apos ter concorrido por 2 vezes à presidência da republica, Empsy é eleita na dobradinha com Carlos Alvarado, novo presidente da Costa Rica.
A campanha da mesma foi pautada fortalecida pela Diversidade, principalmente na liberação de casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Com mais de 60% dos votos, a chapa de Empsy tomará posse no próximo mês. Epsy é reconhecida pela sua atuação internacional de combate ao racismo e ao sexismo, dedicação na defesa dos direitos das mulheres e no desenvolvimento social.

Remetemos o cenário político brasileiro: quem são os atuais candidatos? Quais são suas pautas e agendas? Quais possuem históricos profissionais e “ficha limpa”?

O Brasil ocupa a 161ª posição no Ranking de Presença Feminina no Poder Executivo, dentre os 186 países analisados pelo Projeto Mulheres Inspiradoras (PMI). Sabemos que passou da hora de formarmos nossos lideres e empossa-los para real representatividade de quem sente o compromisso com os principais marginalizados. Mulheres, Negros, LGBTQ e pessoas com necessidades especiais estão expostos e lutando por oportunidades mais igualitárias, no entanto, não conseguem que suas vozes ecoam tao alto quanto dominação sobre privilégios. No brasil as mulheres negras são o maior grupo demográfico brasileiro, correspondendo a 27% da população, apesar de serem pouco representadas na política. O exemplo mais recente do quanto os partidos não estão atentos à disparidade de gênero e raça na política são os números das últimas eleições municipais (2016). Cerca de 68% das cidades sequer tiveram uma candidata à Prefeitura. O reflexo disso é que hoje, a cada dez municípios, somente um é administrado por uma mulher. No recorte por raça, a disparidade é ainda maior: 61% dos prefeitos eleitos foram homens brancos. Apenas 1,5% homens negros e menos de 1% mulheres negras.

A exemplo de Epsy Campbell temos algumas mulheres negras que poderiam ocupar cargos de força e robustez no Executivo e no Legislativo em nosso pais. Sueli Carneiro, pesquisadora, ativista fundadora do Geledes, o maior portal de noticias da população negra do pais, sempre foi um nome celebrado dentro do Movimento Negro pelo grau de relevância na luta dos direitos humanos. Jurema Werneck, médica e fundadora da Ong Criola e uma das maiores ativistas em prol da saúde da mulher negra. Atualmente represente da Anistia Internacional. Rachel Maia, CEO por 9 anos da Pandora Brasil, industria de luxo, a qual cresceu de 2 para 98 lojas durante a gestão da grande executiva. Rachel possui dois projetos de impacto social, o Mulheres do Sim, de fomento à participação de mulheres no empreendedorismo, e o projeto Capacita-me, este ultimo focado em jovens e adultos à margem de oportunidades que recebem capacitação no mercado de varejo.
O que essas mulheres têm em comum? Alto grau de excelência em suas realizações, perfil de liderança com foco em pessoas, busca de equidade para as Diversidades e senso de urgência na mudança sócio econômica em seus países.

“Acreditando que a transformação real – a única que nos levará à cidadania plena e verdadeira – nasce da participação sistemática e séria na vida pública e no poder político. Nós, afrodescendentes, temos de ser capazes de conduzir nossa própria história, que seja transnacional, ser capazes de olhar nossas necessidades e as necessidades de outros povos que padecem dos mesmos problemas, seja em que parte for da nossa América Latina.”
Epsy Campbell

Sigamos o exemplo do povo da Costa Rica que ao eleger  Psy como vice presidente deu visibilidade a posições de destaque de Mulheres Negras à frente dos Poderes Executivo e Legislativo e não como o ocorrido no Brasil onde a única representante negra na câmara de vereadores do Rio de Janeiro foi silenciada por exercer seu papel de denuncia a injustiças sociais de dentro da própria maquina governamental.
Vida longa e frutífera à Epsy Campbell e por mais Marielles com sede de justiça.

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