Black Money: Empreendedores criam negócios para fortalecer a comunidade negra no país

As projeções otimistas sobre o aumento e qualificação dos níveis de emprego para este ano foram desmanteladas com as novas pesquisas onde identificaram o crescimento em 1.3% do desemprego no Brasil no primeiro trimestre de 2018 comparado com o último trimestre de 2017. A falta de oportunidades no país atinge 13.1%, deixando à margem cerca de 13.7 milhões de brasileiros. Em uma seara de escassez ainda nos deparamos em como esse problema atinge de forma mais brutal a população negra. 63.7% da população desempregada no país é preta ou parda, ou seja: de cada 3 DESEMPREGADOS no Brasil 2 são NEGROS.

Com a alta do desemprego o brasileiro continua na missão cada vez mais difícil de se reinventar (Baixe aqui o ebook: +20 formas de ganhar uma renda extra).

Ao olhar para a realidade do grupo que esta ativo no mercado de trabalho a desigualdade continua: o abismo socioeconômico onde negros recebem salários 40% menor que brancos. Ponto central do início da reportagem do Programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios do dia 29/04/2018, que trouxe o estudo do Instituto Locomotiva onde demonstra 800bi de reais seriam introduzidos na economia se brancos e negros recebessem o mesmo salário.

Para a população negra no Brasil o empreendedorismo muitas vezes preenche a lacuna da empregabilidade como alternativa de manutenção/geração de oportunidades e renda. Abrir o negócio próprio e valorizar suas origens e cultura é a forma como grupos investem na economia para incentivar renda entre a população da sua comunidade. Essa filosofia está em varios grupos etnicoraciais em todo o mundo e tem sido reconhecida na comunidade negra como a filosofia do Black Money. Entenda o que é o Black Money e confira a participação do MBM e outros agentes do ecossistema afroempreendedor de São Paulo:

(clique aqui para assistir)

Falar e agir sobre o prisma do Black Money é falar de sustentação de toda a piramide: atuando na base, incentivando o consumo consciente do consumidor negro junto ao afroempreendedor (negros são 75% dos 10% mais pobres do pais) movimentariamos toda a estrutura. Essa estratégia de sustentabilidade e emancipação de um grupo traz maior independência e oportunidades para negros e não negros.

O Movimento Black Money tem como meta estimular a geração de negócios de modo a ampliar as oportunidades de trabalho e renda para os negros no Brasil, com base em inovação e empreendedorismo. Números indicam que o afroempreendedorismo já é uma realidade e que só precisa de maior comunicação e alicerce da base para circulação e trocas dentro dessa rede: baseado na Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad), o Sebrae aponta que, em dez anos, a quantidade de empreendedores negros cresceu 29% no Brasil. No segmento das micro e pequenas empresas – aquelas que faturam até R$ 3,6 milhões por ano –, o percentual de empresários negros passou de 43% para 50%. Somos os que mais empreendem mas ainda sofremos com escalabilidade e inovação tecnologica em serviços e produtos por não termos acesso à credito e educação empreendedora.

O Movimento Black Money além do fomento das relações dentro da comunidade negra, vem à luz com denuncias e informacoes junto às instituições financeiras e empresariais para engajar toda a sociedade para o compromisso da diminuição das desigualdades socioeconomicas no país.


Epsy Campbell é a primeira Mulher Negra a ser vice presidente na América Latina

Epsy Campbell tornou-se a primeira mulher negra a ser vice presidente na América Latina em um período em que estamos sedentos de representatividade na política e em outros espaços.
A afro costarriquenha é economista e possui histórico como deputada e fundadora do PAC (Partido da Ação e Cidadania). Apos ter concorrido por 2 vezes à presidência da republica, Empsy é eleita na dobradinha com Carlos Alvarado, novo presidente da Costa Rica.
A campanha da mesma foi pautada fortalecida pela Diversidade, principalmente na liberação de casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Com mais de 60% dos votos, a chapa de Empsy tomará posse no próximo mês. Epsy é reconhecida pela sua atuação internacional de combate ao racismo e ao sexismo, dedicação na defesa dos direitos das mulheres e no desenvolvimento social.

Remetemos o cenário político brasileiro: quem são os atuais candidatos? Quais são suas pautas e agendas? Quais possuem históricos profissionais e “ficha limpa”?

O Brasil ocupa a 161ª posição no Ranking de Presença Feminina no Poder Executivo, dentre os 186 países analisados pelo Projeto Mulheres Inspiradoras (PMI). Sabemos que passou da hora de formarmos nossos lideres e empossa-los para real representatividade de quem sente o compromisso com os principais marginalizados. Mulheres, Negros, LGBTQ e pessoas com necessidades especiais estão expostos e lutando por oportunidades mais igualitárias, no entanto, não conseguem que suas vozes ecoam tao alto quanto dominação sobre privilégios. No brasil as mulheres negras são o maior grupo demográfico brasileiro, correspondendo a 27% da população, apesar de serem pouco representadas na política. O exemplo mais recente do quanto os partidos não estão atentos à disparidade de gênero e raça na política são os números das últimas eleições municipais (2016). Cerca de 68% das cidades sequer tiveram uma candidata à Prefeitura. O reflexo disso é que hoje, a cada dez municípios, somente um é administrado por uma mulher. No recorte por raça, a disparidade é ainda maior: 61% dos prefeitos eleitos foram homens brancos. Apenas 1,5% homens negros e menos de 1% mulheres negras.

A exemplo de Epsy Campbell temos algumas mulheres negras que poderiam ocupar cargos de força e robustez no Executivo e no Legislativo em nosso pais. Sueli Carneiro, pesquisadora, ativista fundadora do Geledes, o maior portal de noticias da população negra do pais, sempre foi um nome celebrado dentro do Movimento Negro pelo grau de relevância na luta dos direitos humanos. Jurema Werneck, médica e fundadora da Ong Criola e uma das maiores ativistas em prol da saúde da mulher negra. Atualmente represente da Anistia Internacional. Rachel Maia, CEO por 9 anos da Pandora Brasil, industria de luxo, a qual cresceu de 2 para 98 lojas durante a gestão da grande executiva. Rachel possui dois projetos de impacto social, o Mulheres do Sim, de fomento à participação de mulheres no empreendedorismo, e o projeto Capacita-me, este ultimo focado em jovens e adultos à margem de oportunidades que recebem capacitação no mercado de varejo.
O que essas mulheres têm em comum? Alto grau de excelência em suas realizações, perfil de liderança com foco em pessoas, busca de equidade para as Diversidades e senso de urgência na mudança sócio econômica em seus países.

“Acreditando que a transformação real – a única que nos levará à cidadania plena e verdadeira – nasce da participação sistemática e séria na vida pública e no poder político. Nós, afrodescendentes, temos de ser capazes de conduzir nossa própria história, que seja transnacional, ser capazes de olhar nossas necessidades e as necessidades de outros povos que padecem dos mesmos problemas, seja em que parte for da nossa América Latina.”
Epsy Campbell

Sigamos o exemplo do povo da Costa Rica que ao eleger  Psy como vice presidente deu visibilidade a posições de destaque de Mulheres Negras à frente dos Poderes Executivo e Legislativo e não como o ocorrido no Brasil onde a única representante negra na câmara de vereadores do Rio de Janeiro foi silenciada por exercer seu papel de denuncia a injustiças sociais de dentro da própria maquina governamental.
Vida longa e frutífera à Epsy Campbell e por mais Marielles com sede de justiça.