Diversity Washing, um atentado contra as políticas de Diversidade

O termo “Green Washing” – uma empresa que divulga empregar práticas ecologicamente corretas ou sustentáveis, mas não fez nenhuma mudança além de colocar latas de coleta seletiva na cozinha – é bastante utilizado por organizações ambientais e seus ativistas. Porém o termo Washing parece não ter se limitado a área da ecologia e avançou para o terreno da Diversidade.

Empresas com equipes variadas tendem a lucrar até 33% a mais que equipes homogêneas (estudo da McKinsey Co, 2017) ,embora seja perceptível mudanças no comportamento da mídia, principalmente após os EUA e Brasil terem eleito um negro e um nordestino como presidentes- respectivamente-, as minorias ainda não sentiram mudanças nas estruturas organizacionais.
“Existe um desrespeito completo quando falamos de equiparação e reparação nas temáticas de diversidade. Assim como as escolas usam capoeira para justificar que cumprem a obrigatoriedade da lei 11.645 de Ensino da História da África e dos Afrobrasileiros, muitas empresas usam eventos corporativos e peças publicitárias para cumprir por tabela as temáticas de Diversidade cada vez mais latente”, adverte Alan Soares, fundador do Movimento Black Money.

Segundo estudo da consultoria Santo Caos lançado em São Paulo no dia 26/03, empresas que incentivam internamente programas de diversidade possuem 16% maior engajamento de seus profissionais (negros e não negros).
“Ações de algumas empresas no dia 08 de Março demonstram que mulheres e outras diversidades não possuem participação, muito menos inserção em níveis estratégicos pois estas organizações realizaram ações de marketing ofensivas e sem representatividade real, como o caso de uma rede de fast food, no Dia Internacional da Mulher”, afirma Nina Silva – Presidente do Movimento Black Money e Project Manager na Thoughtworks.

Cada vez mais presentes a partir da transformação digital, as denúncias e flagrantes de atos abusivos discriminatórios surgem na rede e provocam reações de consumidores e militantes a exemplo do ocorrido com uma grande franquia de hambúrguer, que nesta semana teve registrado um caso de injuria racial atrelado a sua rede, quando um cliente foi denominado como “macaco” por um funcionário no cupom fiscal. “Fatos como este tem sido cada vez mais corriqueiros, o que dizer de uma loja de roupas, instalada no bairro dos Jardins (SP), que se diz voltada ao público gay? Que na festa de lançamento de coleção acusou e ainda registrou queixa contra jovens ,que eram os únicos negros da festa, de terem furtado um sabonete usado. Este é o retrato do Brasil Racista, em sua estrutura, que assassina Claudias e Marielles” relata Rodrigo França, sociólogo e ator da peça Contos Negreiros, sucesso de público no Rio de Janeiro que defende a assinatura da petição de repudio contra a loja. ( Link para petição contra a loja – http://bit.ly/repudioracismo )

 

A área da publicidade é uma das mais acusadas, de atuar neste processo de Diversity Washing, pelos ativistas pró diversidade. “As empresas não criam nenhum empecilho para aceitar o dinheiro dessas ditas ‘minorias’, produzem peças publicitárias utilizando-os _ caso recente do comercial estrelado pela drag queen Anny B e uma menina negra – mas não vi nenhum desses dois grupos representados na última contratação de trainees ou no board da empresa. Pior ainda foi ver que a peça publicitária pertence a mesma rede de hamburguês que tratou seu cliente como macaco, explicitando o paradoxo entre discurso e prática”, reforça Alan Soares.

“Mas mesmo usando de publicidade para mascarar falsas diversidades, algumas instituições recaem no antigo sistema discriminatório e explicitam nas mídias conteúdos que realçam o despreparo e até descaso, como foi o casa da campanha Black is Beautiful, onde o slogan de identidade negra foi utilizado para retratar um papel higiênico de cor preta, e da marca de sabonetes onde a modelo negra troca de pele com uma modelo branca.
Na última semana ainda foi noticiado o caso do aluno da faculdade que tirou foto e escarnou sobre outro aluno negro chamando-o de escravo no whatsapp com os colegas. Em tempo, a Instituição apenas suspendeu o criminoso.”, completou Rodrigo França.

A “lavagem da diversidade” é tido como o movimento atual de empresas que, por exemplo, até abonam as horas de trabalho de mulheres no dia 08 de Março mas não atuam em abusos diários dentro do próprio ambiente de trabalho, desde manterrupting a questões de assédio. “As empresas falam de diversidade de orientação sexual mas não possuem o mínimo conhecimento sobre como absorver homens e mulheres transgênero em seu quadro. As práticas do racismo institucional apenas ressaltam e reforçam as disparidades dentro das maiores empresas do país onde mulheres ocupam 13,7% e negros 4,7% do conselho executivo destas corporações.” ressalta Armando Julio, universitário de 20 anos, pré-selecionado no programa Shell Iniciativa Jovem, que buscou empreender junto ao MBM para lutar em prol da empregabilidade da população negra no Brasil.

“Em um país com legislação para empregabilidade de pessoas com deficiências em empresas temos apenas 1% dessa população empregada. Não basta instalar rampas e alças nos sanitários para quem tem problema de mobilidade se quando são absorvidos não estão em funções de visibilidade. Jovens aprendizes em sua maioria são negros mas não recebem treinamentos para real desenvolvimento sendo colocados em funções básicas administrativas com alto turnover por apenas estarem cumprindo números de obrigatoriedade sob legislação. ” diz Alan Soares.

Especialistas apontam que as lideranças das empresas tampam os olhos e se distanciam do desafio da Inclusão, por ignorarem o assunto e/ou falta de engajamento.”Treinamentos, mentorias, benchmark para gestores, RH e todos os funcionários são partes de um programa maior de inclusão, desenvolvimento e oportunidades para estes profissionais em todos os níveis da empresa, principalmente nos postos estratégicos onde a representatividade e alinhamento da prática com o discurso devem ser intensos. Empresas como Thoughtworks, Bayer , Adiq e Trader Brasil são exemplos de como posicionamentos das suas lideranças, dentro e fora do escritório, tornam-se pilares para a construção de políticas para Inclusão e equidade entre Diversidades” complementa Nina.

MBM Finanças: Taxa de Juros Nominal ou Real, do que se trata?

Mesmo que a passos lentos estamos em tempos de retomada da economia. O mercado empreendedor está aquecido onde um movimento anterior de startups inovadoras têm trazido um diferencial para possíveis investimentos no país. Pode parecer otimista demais, talvez seja mas precisamos cada vez mais dentro da comunidade negra ampliarmos nosso conhecimento e mudarmos a maneira que lidamos com nosso DINHEIRO. Sim, a palavra dinheiro não faz mal algum, pelo contrário falar de consumo consciente, investimentos e circulação de riqueza demonstra uma sociedade com maior acesso a determinantes sociais que limitam ou expandem o verdadeiro crescimento e fortalecimento da rede afroempreendedora B2B2C.

O Movimento Black Money neste artigo trata com linguagem simples e exemplo práticos conceitos que podem ser dúvidas para iniciantes no mercado financeiro: Taxa de Juros Nominal ou Real?

Taxa de Juros Nominal ou Real

Podemos definir como taxa de juros a diferença entre o valor pago e o valor recebido em função do tempo. As taxas de juros beneficiam os poupadores fazendo com que seu capital se torne maior ao longo do tempo. Em contrapartida as taxas de juros tornam os bens comprados a prazo mais caros pois é necessário remunerar aquele que cede o crédito com juros.

Se uma pessoa faz uma aplicação de R$1.000,00 e ao final de determinado período de tempo ela recebe R$ 1.100,00 podemos dizer que a taxa de juros recebida foi de 10% (diferença entre o valor pago e o valor recebido). Um exemplo para a tomada de um crédito é que determinada pessoa pode comprar um veículo que custa R$30.000,00 e fazer um financiamento de um ano pagando pelo veículo um valor total de R$37.000,00, neste exemplo temos uma taxa de juros de 23,33% ao ano.

As taxas de juros podem ser classificadas em diversas formas, neste artigo trataremos sobre as taxas de juros nominais ou aparentes e as taxas de juros reais. A taxa de juro seja ela nominal ou real, são também classificadas em função do tempo podendo ser anual, semestral, bimestral, mensal, ou mesmo diária.

Taxa de Juros Nominal ou Aparente

 As taxas de juros nominais são aquelas em que a taxa de juros é um valor aparente, e não representa o custo efetivo do dinheiro seja ele recebido ou desembolsado. Veja o exemplo abaixo:

Um cliente realiza um investimento de R$ 100.000,00 a ser recebido no período de um ano, para fins didáticos havíamos estabelecido que o valor do investimento a ser recebido no final deste ano é de R$ 110.000,00. Entretanto neste período tivemos uma taxa de Inflação na ordem de 9,00%.(Inflação é aquilo que destrói o seu poder de compra)

Esta taxa não é uma taxa real, pois  não é considerado por exemplo o valor da inflação neste período.  Por isso é chamada de Juros Nominal ou Aparente. O mesmo se aplica a um empréstimo, veja:

Uma empresa de Factoring empresta o valor de R$ 20.000,00 a um cliente para receber ao longo de um ano o valor de R$ 30.000,00. Porém,  o cliente tomador do crédito paga uma taxa 10% sobre o valor dado a título de empréstimo (R$ 3.000,00) para fins de emissão de contrato também da aquisição de um seguro.

A taxa nominal é calculada apenas considerando-se o valor recebido a título de empréstimo, não levando em consideração a taxa de contratação. Temos então neste exemplo uma taxa nominal de 50% pois não são considerados os demais custos.

Taxa de Juros Real

As taxas de juro real, em contrapartida levam em consideração a inflação e todos os demais custos envolvidos na negociação. Vamos calcular a taxa real dos exemplos mostrados acima.

Um cliente realiza um investimento de R$ 100.000,00 ao ser recebido no período de um ano, para fins didáticos havíamos estabelecido que o valor do investimento a ser recebido no final deste ano é de R$ 110.000,00. Entretanto neste período tivemos uma taxa de Inflação na ordem de 9,00%

Taxa de Juros Nominal ou Real

Podemos perceber então que com o efeito da inflação a rentabilidade do investimento apesar de ser boa ficou praticamente zerada. O calculo da taxa real é extremamente importante, pois a mesma demonstra quando um investimento é valido ou não.
Veja a aplicabilidade no exemplo 2:

Uma empresa de Factoring empresta o valor de R$ 20.000,00 a um cliente para receber ao longo de um ano o valor de R$ 30.000,00. Porém,  o cliente tomador do crédito paga uma taxa 10% sobre o valor dado a título de empréstimo (R$ 3.000,00) para fins de emissão de contrato também da aquisição de um seguro.

Considerando o exemplo acima, levamos em consideração que do empréstimo realizado de R$20.000,00 ainda são pagos R$3.000,00 a títulos de taxas de contratação seguro, sendo liberado ao tomador do crédito apenas R$ 17.000,00. Neste caso teríamos então uma Taxa Real de 56,66%.

 Uma dica para provas de concursos para um cálculo rápido da taxa real, é que ela é sempre pouco menor que o simples desconto da inflação. Considerando o exemplo 1, o simples desconto da inflação da rentabilidade (10% – 1%) teríamos uma taxa anual de 1%, pouco superior a taxa real calculada utilizando a fórmula que ficou em 0,91% ao ano.

Nada complicado não é mesmo? O Movimento Black Money está disposto a enegrecer questões de diversas áreas e complexidades. Caso tenha alguma duvida ou sugestão de temas que gostaria que fossem abordado no mundo das finanças deixe seu comentário no post.  E não esqueça de compartilhar o conteúdo com sua rede.

Equipe MBM

Um Chamado Revolucionário # The Call for Revolution

Desabafo do Big, da banda Dois Africanos:

Que Deus tenha misericórdia dos Brancos e que a sua mão mude os corações deles. Nós, Pretos do mundo precisamos aprender a mostrar que existimos e que estamos unidos. Não devemos apenas mostrar a nossa indignação nessas condições (caso da Marielle). Devemos viver a negritude ao cotidiano. Devemos representar as origens em toda hora e todo momento. Devemos apoiar uns aos outros a todo momento. Nós, Negros devemos nos libertar entre nós, devemos quebrar as cordas mentais que não nos deixam nos amar. E nessa luta cada irmã e irmão é uma peça capital. Devemos se tornar UM Só. Superar a separação e desunião implantada em nós pela supremacia branca. Ser Negro deve ser signo de esperança para o mundo e não ser os servidores dos outros. Nós, somos os que sofreram e hoje ainda continuamos de lutar para poder viver. Irmãs e irmãos da diáspora africana, vocês sabem quanto a África chora por vocês ? Vocês sabem quanto fraca ela ficou depois que arrancaram vocês dos braços dela? A mãe cujos filhos foram tirados dela em condições humilhantes e que até hoje sente um vazio? O pior é ver que séculos depois, esses filhos continuam sendo tratados dessa forma. Condenados a viver o mesmo massacre dos tempos tristes da escravização nos dias de hoje nas terras que eles na maior parte construíram ao custo das suas vidas.

Mas tenham a esperança de uma vida melhor. Liguem as mentes e desliguem as TVs. E se essa é a vida que eles acham que nós merecemos então lutaremos se for necessário ao custo das nossas vidas para que isso PARE.

Vivian MOUVI (Big), “Os gritos de um africano no Brasil”

#EuSouALuzNegra
#MarielleOntemMarielleHojeEMarielleSempre

Outburst of Vivian Mouvi from the “Dois Africanos” band:

God have mercy on Whites and may His hand change their hearts. We together, the Blacks of the world, need to learn to show that we exist and that we are united. We must not only show our indignation under these conditions (Marielle’s case in brazil). We must live Black conscious in our daily life. We must represent our origins at all time. We must support each other at all time. We Blacks must break free, even between ourselves, we must break the mental shackles that do not let us love. And in this struggle each sister and brother is a great piece. We must become ONE. Overcoming the separation and disunity implanted in us by white supremacy. Being Black should be a sign of hope for the world and not be the servants of others. We are the ones who suffered and today we still struggle to live. Sisters and brothers of the African diaspora, do you know how much Africa cries for you? Do you know how weak it got after they yanked you out of its arms? The motherland whose children were taken from her in humiliating conditions and who even today feels a void? The worst is to see that centuries later, these children continue to be treated that way. Condemned to live the same massacre of the sad times of enslavement these days in the lands that they mostly built at the cost of their lives.

But hope for a better life. Turn on the minds and turn off the TVs. And if this is the life they think we deserve, then we will fight if it is necessary, at the cost of our lives for it to STOP.

Vivian MOUVI (Big), “The screams of an African in Brazil”

#EuSoualuzNegra
#MarielleOntemMarielleHojeEMarielleSempre

Dia Internacional Contra a Discriminação Racial

21 de Março – Dia Internacional Contra a Discriminação Racial

É no mínimo inocente falar de métodos para erradicar o racismo no Brasil sem entender o contexto histórico de uso do racismo como base estrutural de poder socioeconômico e político. Preto é feio. Escuridão são trevas. Tradições são cultos ao diabo… todas estas e outras incursões inseridas no subconsciente do escravizado e colonizador perduram até hoje. O Racismo é uma das técnicas mais antigas e eficazes de detenção, manutenção de poder e status quo.
Diferentes formas de escravidão foram embutidas e se mantêm até os dias de hoje em nosso extrato social.
A população negra no Brasil sofre com a falta de apoio e estrutura em todas as frentes: educacional, saúde, empreendedorismo, inovação e tecnologia. O plano de embranquecimento e “higienizacao” social mantém-se ativo e diário com o genocídio da população negra.

“1) A Escravidão lançou as bases do sistema econômico internacional moderno.
A infraestrutura maciça necessária para transportar entre 8 a 10 milhões de africanos através de oceanos, de um lado do mundo para o outro lado do mundo literalmente gerou cidades inteiras na Inglaterra (como Liverpool e Manchester) e na França ( Bordeux, por exemplo). Ele foi fundamental para a emergência de Londres como capital mundial do comércio, e para estimular o crescimento de Nova York como um centro de finanças. A indústria de construção,manutenção e reparos, financiamento, preparação de pessoal, e a tarefa administrar os milhares de navios que fizeram cerca de 50.000 viagens individuais era por si só um conjunto de tarefas hercúleas. As redes financeiras internacionais necessárias para coordenar, manter e distribuir os lucros obtidos com a escravidão definiram o modelo economico vigente hoje em dia na economia global.

2) As habilidades econômicas dos africanos foram também razão para sua escravização.
Os africanos possuíam algumas experiências únicas que os europeus não dominavam. Os africanos sabiam como praticar o cultivo agrícola em climas tropicais e semi-tropicais. Produtores de arroz africanos, por exemplo, foram capturados a fim de trazer seu conhecimento agrícola para a América Antilhana. Muitas civilizações do Oeste Africano possuíam ourives e metalúrgicos especialistas em obras e construçoes de grande escala e foram decisivos para o sucesso dos empreendimentos coloniais. Escravos mestres nessas tecnologias foram usados para trabalhar, por exemplo, nas “Minas Gerais”.

3) O “know-how” africano transformou as economias escravistas em alguns dos países mais ricos do planeta.Os frutos do tráfico de escravos financiaram o crescimento de impérios globais.
4) As denúncias de que o exército brasileiro que lutou na guerra do Paraguai (1864-1870) era formado por escravos não são novas. Seus primeiros autores foram os redatores dos jornais paraguaios da época. Tratavam de menosprezar o exército brasileiro com base no duvidoso argumento de que, por ser formados por negros, deveria ser de qualidade inferior. Mais recentemente, diversos autores tentaram ressuscitar o argumento de que o exército brasileiro era formado por negros escravos alistados compulsoriamente. Soldados negros, ex-escravos ou não, lutaram em pelo menos três dos quatro exércitos dos países envolvidos.
Os exércitos paraguaio, brasileiro e uruguaio tinham batalhões formados exclusivamente por negros. Como exemplos, temos o Corpo dos Zuavos da Bahia e o batalhão uruguaio Florida. Além do que, foi difundido pelo “governo” que todos os negros que fossem lutar na guerra, ao retornar receberiam a liberdade e os já livres receberiam terra.Uma promessa que nunca foi cumprida.
Outro aspecto envolvido na questão é que quando chegava a convocação para o filho do fazendeiro, ele o escondia e no lugar do filho enviava de cinco a dez negros. Antes da guerra do Paraguai, a população negra do Brasil girava em torno de 2 milhões e 500 mil pessoas, ou seja, 45% do total da população brasileira. Depois da guerra esse número caiu para cerca de 1 milhão e 500 mil pessoas,ou seja, cerca de 15% do total da população brasileira.

5) A brutalidade e a tortura psicológica de escravos era uma ferramenta utilizada pelo sistema para para garantir que as plantações como unidades de geração de lucros mantivesse bons níveis de produção e de retorno financeiro aos investidores. Revoltas de escravos e atos de sabotagem eram relativamente comuns. Como empresas econômicas, a interrupção da produção afetava negativamente os negócios. Ao longo do tempo um sistema organizado de opressão foi institucionalizado para manter as coisas nos eixos . A torura pública era um meio eficaz de evidenciar o destino reservado aos escravos mais recalcitrantes e aos negros rebeldes. Foi assim que o Pelourinho ganhou notoriedade.
6) A preocupação pelo destino do escravo se mantivera em foco enquanto se ligou a ele o futuro da lavoura. Ela aparece nos vários projetos que visaram regular, legalmente, a transição do trabalho escravo para o trabalho livre, desde 1823 até a assinatura da Lei Áurea. Com a Abolição pura e simples, porém, a atenção dos senhores se volta especialmente para seus próprios interesses. A posição do negro no sistema de trabalho e sua integração à ordem social deixam de ser matéria política.
7) O Morro da Favela (atual Providência), que aparece na referida novela foi o primeiro destino de negros no pós-abolição carioca. Após a Lei Áurea, os negros libertos foram buscar moradia em regiões precárias e afastadas dos bairros centrais das cidades. Uma grande reforma urbana no Rio de Janeiro, em 1904, expulsou as populações pobres para os morros.

8) O 2º ATO OFICIAL: LEI COMPLEMENTAR À CONSTITUIÇÃO DO IMPÉRIO DE 1824 – Esse texto complementar proibia os negros (e os leprosos) de frequentar escolas, pois eram considerados “doentes e portadores de moléstias contagiosas.”Os poderosos do Brasil sabiam que o acesso ao saber sempre foi uma alavanca de ascensão social, econômica e política de um povo. Com este decreto, os racistas do Brasil encurralaram a população negra nos porões da sociedade. Juridicamente este decreto agiu até 1889, com a proclamação da República. Na prática a intenção do decreto funciona até hoje. Por exemplo: por que as escolas das periferias não têm, por parte do governo, o mesmo tratamento qualitativo igual ao das escolas das cidades? Como é que uma pessoa afrodescendente favelada terá motivação para estudar numa escola de péssima qualidade? O desejo de manter a opressão econômica sobre as populações afrodescendente é a realidade crua da sociedade brasileira.

9) O 3º ATO OFICIAL: LEI DE TERRAS DE 1850, N.º 60 – Quase todo o litoral brasileiro estava povoado por QUILOMBOS. O sistema, percebendo o crescimento do poder econômico do negro e que os brancos do interior estavam perdendo a valiosa mão -de- obra para sua produção, decreta a LEI DA TERRA. A partir desta nova lei as terras só poderiam ser obtidas através de compra. Assim, com a dificuldade de obtenção de terras que seriam vendidas por preço muito alto, o trabalhador livre teria que permanecer nas fazendas, substituindo os escravos.
A partir daí o exército brasileiro passa ter como tarefa, destruir os quilombos, as plantações e levar os negros de volta as fazendas dos brancos. O exército exerceu esta tarefa até 25 de outubro de 1887 quando um setor solidário ao povo negro cria uma crise interna no exército e comunica ao Império que não mais admitirá que o exército seja usado para perseguir os negros que derramaram seu sangue defendendo o Brasil na guerra do Paraguai. No detalhe: A lei de terras não foi usada contra os imigrantes europeus.

10) 7º ATO OFICIAL: DECRETO 528 DAS IMIGRAÇÕES EUROPÉIAS (1890) – No poder, o partido Republicano coloca como prioridade a industrialização do pais. A indústria precisava de matéria prima e mão de obra. A matéria prima no Brasil não era problema. Quanto à mão de obra, o povo negro estava aí, disponível para ser treinado e produzir os efeitos esperados. Mas o eurocentrismo ditado pela Eugenia racista das elites brasileiras, falou mais alto, e a mão de obra passou a ser problema quando o governo descobriu que se o negro ocupasse as vagas nas indústrias, iria surgir uma classe média negra poderosa e colocaria em risco o processo de embranquecimento do país. A solução decretada no dia 28 de junho de 1890 foi a reabertura do país às imigrações europeias e definir que negros e asiáticos só poderiam entrar no país com autorização do congresso.”
Texto adaptado do Correio Nago

#MariellePresente

Quem matou Marielle Franco?

Foucault defendeu que o exercício fundamental do poder se dá no controle que ele exerce sobre a vida e morte. O Rei, por exemplo, tinha como parte central do seu exercício de poder o direito de matar. Concedido seja por deus, seja pelo sistema de justiça, pelo pensamento filosófico, político, pela cultura da época, o Rei era quem poderia decidir se um súdito morreria ou não. Com o advento da modernidade, do avanço da científico, de um novo modelo econômico, de pensamento o exercício do poder do Estado Moderno se exerceria sobre duas frentes: “sobre o fazer viver e o deixar morrer”.

O Estado, na aparência, não teria mais o poder de matar como era o ponto central do poder do Rei. Com o advento da ciência, de um domínio maior sobre a produção alimentar, controle das doenças, avanço tecnológico, o Estado seria aquele que faria viver uns e deixaria para morrer outros. A grande estrutura na qual o Estado Moderno exerceria o seu poder sobre vida e morte seria o Racismo. O Racismo é o grande aparato estrutural que o Estado lançaria mão para decidir quem vive e quem morre. O Racismo é quem definirá quais corpos vivem e quais corpos podem morrer. Quais corpos tem valor e quais corpos não tem. Um exemplo atual, poderia ser este: sabe-se que a maioria das doenças se derivam de falta de saneamento básico, quando o Estado no uso do seu Dinheiro e da Política, escolhe não investir em saneamento básico em comunidades pretas e pobres, ele esta exercendo o seu poder deixando essas pessoas para morrer, igualmente quando decide por hospitais aqui e não acolá.

Um amigo sabedor de como o racismo é o esqueleto do brasil, é a grande explicação para o porque somos o que somos e estamos como estamos, argumentou que a Marielle é uma vítima do racismo. Para dar exemplo ele disse que a desgraça sempre se manifesta no corpo negro. Dezenas de pessoas foram presas nos protestos de 2013, mas foi o corpo preto do Rafael Braga que o sistema legal escolheu eternizar sua desgraça. Dezenas de deputados, incluindo Marcelo Freixo, denunciam as máfias que permeiam essa cidade, mas é no corpo negro da Marielle que a reação dessa máfia se manifesta.

Aí uma menina branca começou listar algumas pessoas brancas que foram assassinadas, isso como argumento de que o que se passou com a Marielle não tem nada a ver com racismo. Essa menina branca queria disputar mortos na desgraça brasileira? Iria respondê-la, mas estou desde ontem tentando controlar minha pressão, meus nervos, minha calma, meu estado de nervos que toda hora me leva a chorar para desperdiçar esse esforço com alguém com este tipo de argumento. Preferi enviar a mesma apenas um vídeo…

Nota-se que o RACISMO é o que da sentido ao BRASIL. Após estruturar minimamente esse país usando o corpo negro como burro de carga. O Brasil colonial e racista convida brancos pobres de todo mundo para vir clarear o Brasil, para tal, concede a esses brancos terras, direitos e sobretudo um modelo civilizatório inspirado na Europa.

Os Brancos vieram. O Brasil gerido por Brancos coloniais e escravocratas escolheu entre os modelos de gestão oferecidos pela Europa branca e escravocrata, alguns que ainda mantivesse o grande sentido colonial (escravocrata e racista) do brasil, aliás, motivo no qual ele foi gestado.

O Brasil foi parido por brancos europeus, para servir aos desígnios da colonização européia, este papel que cumpre até hoje. Se depois de 500 anos de Gestão Branca, sobre modelo civilizatório branco, inspirado no direito romano branco, sobre uma matriz religiosa oficial branca, a partir de modelos culturais e de pensamentos brancos, numa estrutura de cidade branca, numa estrutura racista que rebaixa o corpo negro a coisa e coloca o branco como centro gestor da humanidade ainda há brancos pobres e brancos que sofrem da violência deste Estado Branco o que eu, um homem preto, tem a ver com isso?

Queria só dizer pra moça é que se brancos morrem no mundo branco devem é reclamar com seus irmãos brancos que geriram, gestão este território usando o corpo negro como burro de carga. Tal qual eu responsabilizo os grandes feitos dos meus ancestrais para o tanto de “liberdade” que eu posso exercer nessa desgraça, as pessoas brancas devem responsabilizar seus antepassados  de que mesmo num mundo branco não terem sido capazes de livrar seus descendentes da pobreza.

Foi o racismo brasileiro que matou a Marielle, seja lá quem tiver puxado o gatilho. Todas as desestruturações existentes no Brasil derivam da sua história branca e sua gestão branca. O Estado brasileiro é um Estado inspirado no mundo branco, pra servir a brancos, sobre a gerencia branca. Sua falência é responsabilidade da branquice que o gesta e dirige. Olhem a cor da classe política, olhem a cor dos comandos do Exército, olhem a cor dos juizes, do que for – foram brancos ontem e são brancos hoje. Quando há um preto ele se movimento numa estrutura branca, europeia, colonial, racista, escravocrata, ou seja, numa estrutura Brasileira. Meus irmãos e irmãs, não foi a milícia, a pm, ou seja lá quem for, que matou a Marielle. Foi o Estado Branco Colonial Brasileiro. O que matou a Marielle foi o Brasil e o brasil é uma Colônia que se assenta e se explica pela escravidão e pelo uso desumano dos corpos negros. Como bem disse o branco Foucault é com o racismo que os Estados modernos salvam seu poder, ou seja, seu direito de matar!

Texto de Jonathan Oliveira Raymundo.

Visibilidade para Equidade – homenagem às nossas ativistas corporativas

Representatividade Importa! Neste artigo especial, 03 Mulheres Negras do Mundo Corporativo são inspiração, voz e imagem da necessidade de expansão da participação de Negros e Negras nas Instituições.

Durante toda a semana o brasileiro foi bombardeado de matérias e atividades em torno do Dia Internacional da Mulher. O Movimento Black Money participou de algumas ações deste dia para enegrecimento das disparidades ao denunciar que a luta para igualdade entre gêneros ainda não atende as pautas de Raça, PCD e de Transgêneros. Em nosso realese sobre o 08 de março publicado no Infomoney, Exame, Geledés e outros veículos de mídia digital do país, destacamos o seguinte trecho:

“Números alarmantes ainda mantêm desleal a luta das mulheres no mercado de trabalho, por isso cada vez mais verifica-se lideranças femininas em empreendimentos próprios na tentativa de abrir novas oportunidades. Ainda hoje as Mulheres recebem, em média, salários 30% menores que os homens quando ocupam os mesmos cargos e com a mesma formação.

Para as mulheres negras o cenário é ainda pior: recebem menos de 60% dos salários dos homens brancos e possuem renda média mensal 40% menor que a renda média das mulheres brancas. No Brasil em 2017 destacou-se um aumento de 11% para 16% do número de CEOs Mulheres em grandes empresas, no caso das Mulheres Negras esse número não alcança 1%” “. MBM, 2018. (Leia texto completo no Portal Geledés).


A lista de destaque no mês da mulher inicia com Rachel Maia, uma das representantes da exceção à regra dentro das cúpulas de grandes empresas. Com o aumento da discussão sobre Diversidade em Conselhos Administrativos, Rachel tem recebido maior visibilidade tendo sido reconhecida pela Forbes como uma das 5 mulheres mais importantes do país.

Desde o prêmio EmpregueAfro recebido em 2016 por sua representatividade para a população negra no Brasil, Rachel Maia só tem acumulado prêmios, entrevistas e participações em grandes eventos do segmento do Varejo, Vendas, Liderança a congressos de Diversidade. Rachel semeia e polariza o conhecimento adquirido e em constante desenvolvimento por onde passa.

Há 08 anos à frente da Pandora, Rachel simboliza 0,4% de mulheres negras em cargo de presidência em empresas, quando falamos de multinacionais estrangeiras ela é a única no país. Nascida na periferia de São Paulo, a executiva lançou a primeira turma de um projeto de inclusão social profissionalizante no setor Varejista chamado Capacita-me. Outra iniciativa da CEO é o “Mulheres do Sim“,  rede que visa conectar e dar suporte a iniciativas de empreendedoras.

Mas não são todas as mulheres negras em corporações que possuem esta visibilidade. Jessica Sandin é uma delas. Business Partner na dunnhumby uma multinacional no ramo de Ciência de Dados, a executiva é Head de Recursos Humanos para todos os países latino americanos e do continente africano. Com uma história similar a varias outras pessoas negras, Jessica nascida na periferia de São Paulo estudou com bolsas e foi autodidata em grande parte do conhecimento que trouxe a base para seu desenvolvimento profissional. Aos 30 anos já possui bagagem dentro de comitês estratégicos corporativos, por viajar por diversos países, Jessica compartilha dicas de viagens em seu Instagram . E não pára por aí, a jovem possui o projeto “Começando Minha Carreia”, em fase de desenvolvimento, para capacitação de outros jovens a partir de sua experiência em recrutamento e demais áreas de RH. Constantemente em seu facebook encontramos oportunidades de carreira para profissionais negros pois a executiva a todo momento procura pessoas negras para se candidatarem às vagas que possui conhecimento. Jessica é exemplo de como no individual consegue-se lutar e direcionar suas atividades em prol de um coletivo.

Junto com a Rachel, a Você S/A destacou o histórico marcante de Viviane Elias Moreira, executiva em uma das maiores Seguradoras das Américas, além de coordenar a área de continuidade de negócios, também se dedica a relacionar as iniciativas de diversidade dentro da empresa com os projetos sociais que atua. Ativista do Comitê de Igualdade Racial do Grupo Mulheres do Brasil, Vivi como é chamada por todos faz parte de Conselhos Internacionais de Diversidade. Suas atividades dentro e fora da Corporação são notórias por ser uma Mulher Negra em um ramo masculino e branco. Junto com seu marido Renato, o casal está sempre em contato com jovens e adultos que necessitam de exemplos de como conciliar a vida profissional, o corre corre da família (o casal possui um filho de 02 anos, Marcelinho) com atividades em projetos sociais em prol de justiça social e econômica.

Em entrevista para o Estadão, Viviane, referência nacional em Gestão de Riscos empresariais relatou diversos casos de discriminação durante sua carreira, acusada de não ter capacidade, ser excluída de um projeto quando o cliente descobriu que era negra e, em um dos piores casos, acusada de ter roubado um celular. “Uma pessoa que não tinha vínculo comigo disse que eu a roubei, porque ela ligou para o celular [que tinha sumido] e uma pessoa atendeu. Ela ouviu um barulho de trem e sabendo que eu era a única “neguinha da periferia” que pegava trem ali, deduziu que fui eu. Ligou para o meu chefe e ele simplesmente não contou nada para mim. Eu continuei trabalhando, sem saber de nada”, narra. “A diversidade precisa ser feita e implantada de forma consciente, porque senão corremos o risco de fazer igual a outras pessoas no mercado de trabalho que brincam de diversidade”, complementa Viviane Elias.

Tantos outros nomes poderiam e serão citados neste blog pois o Movimento Black Money entende que a revolução se faz de diversas formas e que o movimento não vem de agora. São ativistas do dia a dia que também revolucionam, dando novas cores e vozes dentro e fora do mundo corporativo. Muito se ouve sobre Diversidade e Inclusão, mas urge a necessidade de olhos abertos para identificar o que é real ou pura merchandising empresarial.

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