KWANZAA _ REFLEXÕES DO ANTES, VIVÊNCIA DO HOJE E O OLHAR ADIANTE

Kwanzaa é um momento de reflexão, crescimento e planejamento para o futuro, através da lente de sete princípios. Mesmo sendo uma celebração formalizada nos EUA, o importante é o cerne das reflexões realizadas neste período. Sete dias iniciados em 26 de dezembro até 01 de janeiro do ano seguinte, culminando no início de um novo ciclo terrestre mas conectado diretamente a continuidade dos nossos caminhos. Para nós, a reflexão é o processo de usar o passado como veículo para aprender. Analisar o nosso passado nos dá clareza em nossa posição no presente. Reconhecer derrotas e desafios do antes pode ser difícil e desconfortável, mas eles oferecem uma imensa oportunidade para o crescimento. Esta nova fonte de crescimento oriunda da reflexão, da introspecção e do pensamento torna realmente possível criar uma janela para o futuro. Todas as lutas, erros e obstáculos do passado tornam-se aulas no presente, e as lições sempre proporcionam esperança para o futuro. Princípio este também representado por Sankofa, onde nos alimentamos das nossas origens sem medo dos erros e utilizamos do aprendizado para alçar novos vôos.

Mesmo quem não é adepto às comemorações de final de ano não consegue escapar da retrospectiva do que ocorreu e das projeções de anseios para o ano adiante.

O objetivo de Kwanzaa é fazer um brainstorming de uma nova maneira de evoluir e elevar a comunidade, considerando todas as coisas que já vieram antes. Baseado nisso, estamos revisando a montanha-russa que foi 2017 para avaliar o clima para a comunidade negra, na Diaspora das Americas, e avaliar as maneiras mais eficazes de criar mudanças com base nos 7 princípios de Kwanzaa: Umoja, Kujichagulia, Ujima, Ujamaa, Nia, Kuumba, Imani.

 

UMOJA – UNIDADE E RESISTENCIA EM CONJUNTO

2017 tem sido um ano racialmente carregado, colocando o destaque na questão do atual estado de racismo na América. A corrida foi trazida de volta à conversa graças aos protestos, e às travessias, e contestações, onde defendemos as injustiças contra a comunidade negra e destacamos os padrões e os sistemas de opressão. Vimos essa unidade, ou Umoja, na celebração do 1º MIPAD – Most Influential People African Descendent (grande exemplo foi o crownfunding patrocinada por amigos, empresários e público que propiciou a ida de uma das premiadas Adriana Batista, fundadora da Feira Preta), no lançamento do programa de mentoria da Rede de Profissionais Negros onde mentores e mentorados, em uma ação de 3 meses totalmente gratuita, puderam desenvolver competências e resistências para melhor enfrentamento das necessidades  no mercado de trabalho.

Um marco de 2017 com projeção internacional foi o apoio de artistas, de jogadores da NFL e de grupos da sociedade civil estadudinense que se uniu e se ajoelhou em solidariedade com Colin Kaepernick. 

 

 

KUJICHAGULIA – AUTO-DETERMINAÇÃO

Para quem não sabe, Colin Kaepernick é o ex-quarterback do San Fransisco 49er’s que usou sua plataforma como atleta influente para abrir uma conversa sobre acabar com a brutalidade policial. Originalmente, Kaepernick sentou-se durante o hino, mas começou a se ajoelhar há mais de um ano em 2016. Kaepernick afirmou que não iria “ficar de pé para mostrar orgulho em uma bandeira para um país que oprime pessoas negras e pessoas de cor”. O protesto foi encontrado com rechaço e ressentimento de alguns, mas sinais de apoio dos outros. O clima controverso custou a carreira a Kaepernick, de repente nenhuma equipe o contratou mais, em parte por causa da conversa que seus protestos trouxeram à NFL. Ao longo do escrutínio, o assédio e a reação, apesar de custar sua própria carreira profissional, Colin Kaepernick estava determinado a fazer tudo o que podia para usar sua voz para acabar com a opressão dos negros. Kaepernick exemplifica Kujichagulia – a sua convicção de fazer o que foi certo não vacilou a qualquer momento e não importa o custo.

 

“A negritude deve encorajar o negro a não ter medo de ser negro, porque ser negro não é nenhum castigo, quer deus, quer da natureza.”

 

UJIMA – TRABALHO COLETIVO, CONSTRUINDO JUNTOS

Como comunidade, entendemos que cabe a nós cuidar de nós mesmos e parte disso é trabalhar cooperativamente para nos responsabilizar por fazer mudanças verdadeiras. É por isso que nos empurramos um ao outro para ser o melhor que podemos e continuamos a fazer e proporcionar qualquer oportunidade de mudança. Um dos veículos mais valorizados para a mudança é a educação e as parcerias com Diáspora Black, Capitalismo Herdeiro, Vale do Dendê e BRGAfro que nos permitirão desenvolver campanhas e ações para a comunidade em temas importantes, incluindo educação financeira, dicas de economia, hábitos inteligentes de dinheiro, além de acesso a informações sobre inovação e tecnologia. Estamos extremamente gratos aos nossos parceiros e a sua dedicação à missão de restaurar a comunidade negra e criar riqueza negra. Que o novo ano nos traga mais oportunidades para a Ujima e que nossos esforços colaborativos farão a diferença na vida das pessoas em nossa comunidade.

 

 

UJAMAA – ECONOMIA COOPERATIVA, FUNDRAISING

A economia cooperativa é o principal princípio por trás do Movimento Black Money. O gasto negro no ano de 2017 é estimado em R$ 1,3 trilhão, mas este dinheiro nunca vê nenhum benefício para a comunidade porque o dinheiro é gasto em outros lugares em grandes empresas e cadeias de propriedade de predominantemente brancos. A ideia por trás da compra de negros em empreendimento de negros e de investir e movimentar seu dinheiro em instituições bancárias de outros negros é manter o dinheiro na comunidade pela primeira vez, oferecendo empregos em nossa comunidade, aumentando a renda média, trazendo mais oportunidades para mais empreendimentos de negócios e expansão, e depois gastando esse poder de compra maior em lugares diferentes do que empresas gigantes sem interesse na comunidade.

O recurso de arrecadação de fundos próprios é também outra aplicação da economia cooperativa, Ujamaa, porque todos podemos compilar recursos para manter uma causa. Por exemplo, o Fundraising do Capitalismo Herdeiro + Gambatte, apoiado pelo MBM e outros grupos, arrecadou R$ 10.000 para iniciativas voltadas para educação financeira e profissionalização no sistema financeiro de pessoas de baixa renda.


NIA – OBJETIVO, USANDO A HISTÓRIA PARA CONFIGURAR OBJETIVOS PARA O FUTURO

2017 trouxe muitos destaques, mas também provocou muitas lutas. Desastres naturais e eventos fora do nosso controle ocorreram e mergulharam as pessoas no sofrimento, causando numerosos contratempos. No entanto, nos tempos difíceis é inestimável poder ainda tirar a esperança dos obstáculos que enfrentamos. O momento presente em que nos encontramos é e sempre será moldado pelas lições aprendidas com o passado. Aprender e educar-nos no nosso passado nos ajudará a preparar-se para o futuro. Usamos a história para examinar o que aconteceu no passado. Usamos a história para entender como o tempo compôs problemas do passado e complicou nosso presente. Usamos o histórico para traçar o nosso futuro. Podemos usar a história, as lutas deste e dos últimos anos, lembrar-nos de nossa Nia ou propósito, estabelecendo metas para o futuro.

Para chegarmos em nossos objetivos enquanto comunidade negra apoiamos o uso de espelhos, onde outros negros e negras nos fortalecem pela representatividade. Em 2017 tivemos  a visita do ex presidente dos EUA, Barack Obama, além de algumas reportagens denunciando a realidade da população negra, a miséria que ainda assola os 10% mais pobre do país e a falta de integrantes em camadas de maior impacto econômico e social nas instituições publicas e privadas. Ter tido Rachel Maia, Viviane Elias, Conceição Evaristo, Débora Santos, Flávia Roberta, Fernanda Leoncio, Djamilla Ribeiro, Maite Lourenço, Geraldo Rufino, Adriana Barbosa, Luana Genot, Celso Athayde, Taís Araujo, Lazaro Ramos, Paulo Rogério, Patricia Santos, Lisiane Lemos, Monique Evelle e tantos outros negras e negros na mídia e premiações reforçando que Nia é um princípio de motivação e estímulo que corre dentro da comunidade negra e transforma exemplos em ações futuras a partir de representatividade.

O propósito do MBM é a luta pela autonomia financeira e social do povo preto e da emancipação dos negros em Africa e suas diasporas, a partir do fortalecimento do PanAfricanismo com adaptação à realidade de cada territoriedade.

 

KUUMBA – CRIATIVIDADE

Qualquer problema é simplesmente um pensamento criativo longe de uma solução. À medida que planejamos e avançamos, é importante não apenas falar, mas também ouvir soluções criativas para problemas em nossa comunidade. Permita que sua criatividade seja inspirada e estimulada pelo que outros fizeram, neste ano as celebridades e influenciadores foram  criativos sobre sua maneira de se juntar a protestos, causas e arrecadadores de fundos. Jay-Z usou sua audiência para apoiar a ação de Kaepernick para protestar usando roupas de Colin Kaepernick Jersey no palco durante um show. Adriana Barbosa da Feira Preta também tirou um tempo de sua agenda para destacar para um jornal Latino que é impossível falar de empoderamento negro sem falar de Dinheiro. Emmicida também usou sua influência e atraiu a conscientização ao aportar apoio, criando uma linha de moda voltada ao povo negro. No Rio de Janeiro tivemos em 2017 o lançamento dos Afrocriadores, uma cooperativa de empreendedores no ramo da moda com forte apelo à identidade negra da sociedade brasileiro onde denunciam o mercado fashion como altamente racista e elitizado.

 

Criatividade, Kuumba, pode ser a forma como criamos nossa mensagem e a forma como é entregue. A arte moralista do artista Addonis Parker evoca a criatividade até o universo infinito de esperança e potencial dentro dos olhos de uma de suas criações “Doonie”. Para criar a mudança que procuramos, não devemos perder o nosso Kuumba.

 

IMANI – FÉ

Fé – Imani, é o princípio final de Kwanzaa, mas sua importância é enfatizada porque o passo final nesse processo reflexivo. Isso é porque a fé é uma das tomadas e sentimentos mais importantes que devem surgir depois de examinar nosso passado e presente para idéias para o futuro. Quando 2017 chegar ao fim, devemos ser preenchidos com fé para o Ano Novo. Cheio da fé que estamos no caminho certo, que compreendemos o nosso passado e presente, e que vamos encontrar as soluções criativas para a mudança. Independente de religião ou como se conecta com seu “sagrado”. A Fé em você e em sua comunidade, em ser um elo de realização e segurança.

Nossa fé, Imani, se traduz em confiança e nossa confiança se traduzirá em progresso. Agradecemos a todos por estarem conosco em 2017, refletindo conosco durante a temporada de férias e esperamos que você esteja ansioso pelo novo ano como nós do Movimento Black Money estamos.

 

 

Feliz Kwanzaa!

 

 

*Adaptado do original em Ingles*

 

Nosso Presente para você: Dicas de como poupar dinheiro em tempos de crise

Sabemos que  já está difícil de manter todas as contas em dia devido a crise econômica, ainda mais com presentes de Natal e festividades de fim de ano.
Pode parecer tarefa impossível, mas adotar algumas medidas diárias e promover mudanças simples na rotina podem ajudar a economizar, principalmente em momentos de incerteza sobre o cenário político\econômico no país e do aumento natural dos gastos mensais com material escolar, impostos, seguro e outros.

Criar alguns hábitos e deixar velhas manias de lado são importantes para manter sempre uma grana extra no banco, seja para situações de emergência ou para a viagem de férias.

 

Pequenas mudanças podem virar ótimos hábitos:

Um exemplo de como pequenas mudanças ajudam a poupar dinheiro está no uso de aplicativos financeiros. Caso você tenha dificuldades em controlar gastos e lembrar de pagar todas as contas em dia, esta pode ser uma saída para controlar os boletos e saber exatamente qual será o valor gasto com todas as despesas naquele mês- principalmente na virada do ano que os gastos aumentam muito. Elaborar uma planilha financeira também é fundamental para controlar os gastos e saber quanto entra e sai de dinheiro na casa. Com esse controle, dá para descobrir exatamente para onde está indo seu dinheiro e onde é possível fazer alguns cortes.

Esses cortes, aliás, muitas vezes aparecem nos pequenos gastos, que acabam sendo subestimados pela maioria das pessoas. Economizar nas pequenas contas pode ajudar a poupar muito dinheiro ao longo de um ano. Por isso, o velho hábito de fazer a lista de compras antes de ir ao mercado ainda é importante. Isso porque ajuda o consumidor a comprar apenas o que realmente precisa e evita gastos com supérfluos.

 

Milhagem e pontos de fidelidade, saiba outras formas de poupar dinheiro:

Também vale cadastrar seus cartões em programas de milhagem e procurar serviços de fidelidade que vão oferecer pontos que podem ser trocados por produtos ou serviços, além de dar descontos no momento das compras. Esses programas de fidelidade podem ser encontrados em mercados, lojas de eletrodomésticos e até mesmo em lojas de roupas. Outra dica importante para economizar em tempos de crise é prestar atenção aos planos e pacotes de serviços. Muitas vezes, os planos de internet, TV e telefonia fixa e móvel têm muito mais itens do que realmente são usados pelo consumidor. Cortar ou reduzir esses pacotes de dados ajudam a poupar um dinheiro importante para o mês e, consequentemente, gera grande economia ao fim do ano.

 

Comprometimento também é forma de economizar Dinheiro

Não importa se a situação não está fácil: manter as contas em dia e pagar os boletos dentro do prazo também pode ajudar a poupar. Muitas contas têm descontos quando quitadas em dia e, além disso, manter tudo em ordem evita o pagamento de multas e juros por atraso. Por isso, todos os meses, quando o salário entrar na conta, vale separar o dinheiro que será usado para pagar as contas essenciais, como aluguel, água, luz e telefone, e organizar o restante do orçamento para chegar até o fim do mês com o saldo azul.

 

Poupança, rende menos mas o dinheiro está sempre perto para emergências

Manter uma poupança também ajuda a economizar. Embora o rendimento da poupança seja menor do que de outras modalidades de investimento, como tesouro direto, letras do crédito imobiliário (LCI) ou renda variável, tema que iremos discorrer em novo material patrocinado pelo D’Black Bank. Programar um valor mensal para ser investido ajuda a manter o seu planejamento financeiro  sempre em dia e, consequentemente, evitar gastos desnecessário deste valor.

Caso tenha gostado e queira aprofundar-se no conceito de como ganhar dinheiro com investimentos, assine nossa newsletter para receber materiais exclusivos sobre o assunto.

Você é parte do Problema ou da Solução?

Por Rosenildo G. Ferreira

As empresas são compostas de pessoas. Desde o chão de fábrica até o seu Conselho de Administração, passando pela média gerência. Portanto, seria natural supor que o empreendimento espelhe os valores, as vivências, as experiências e as crenças daqueles que nele atuam. Imagina-se que essa identificação também sirva para atrair investidores ou clientes de seus produtos e serviços. Pois bem. Partindo do princípio que é dessa forma que as coisas funcionam são necessários os seguintes questionamentos:

– É justo deixar de contratar um profissional por conta da cor da sua pele?

– Dar emprego a pessoas com deficiência (PCDs) é um favor?

– Uma mulher é menos capaz para liderar equipes do que um homem?

– A opção sexual de determinado profissional define seu desempenho?

Dificilmente alguma pessoa deixará de responder um rotundo NÃO a cada uma das questões acima! Contudo, por que na prática isso não acontece, desafiando a lógica mais básica da meritocracia?

Bem, a resposta não é simples. Tampouco óbvia. Afinal, assim como as empresas são compostas de pessoas, estas carregam dentro de si a soma de suas idiossincrasias que se manifestam na interlocução do dia a dia. O ambiente no qual se dão essas relações também influencia o que vai pela alma humana, de acordo com o filósofo espanhol José Ortega y Gasset: “O homem é o homem e as suas circunstâncias”.

Pois bem. De certa forma, isso explica porque mesmo as questões pacificadas no campo social, como a luta contra a discriminação racial e a a favor da equidade de gênero, acabam não se traduzindo em comportamentos cotidianos no mundo corporativo. Afinal, o chefe de recursos humanos, o avaliador, o gerente de departamento e o supervisor levam seus valores e crenças para o local trabalho. E nem sempre eles estão alinhados ao código de conduta da empresa nas quais atuam.

Isso fica evidente em algumas das conclusões tenebrosas, para se dizer o mínimo, dos dados obtidos com a pesquisa “Diversidade no Contexto das Empresas Brasileiras”. Tenebrosas e desesperadoras. Afinal, falamos das maiores empresas no quesito faturamento e de um grupo no qual despontam algumas das líderes em seus segmentos e que poderiam funcionar como agentes da mudança.

Mas não é isso o que acontece.

A começar dos itens mais básicos como o cumprimento das leis, como se vê no caso das PCDs. Ao longo de décadas, elas têm sido louvadas pela capacidade de superar os obstáculos funcionais. Especialmente no campo dos esportes. Em 2016, os atletas paralímpicos brasileiros ficaram na oitava posição com 72 medalhas, sendo 14 de ouro.

Ou seja, ao mesmo tempo em que as PCDs estão aptas a quebrar recordes mundiais em diversas categorias, não são vistas como habilitadas para cumprir tarefas básicas, como preencher formulários ou falar ao telefone, tampouco tarefas técnicas, como escrever uma peça processual ou bolar uma campanha de marketing!

Foi preciso a edição da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, para que as empresas começassem a contratar, de forma regular, trabalhadores com deficiência. E, mesmo assim, o número ainda é ínfimo se levarmos em conta o montante existente no Brasil. Hoje, são 306 mil PCDs empregadas, menos de um terço do total caso todas as empresas cumprissem a lei, de acordo com a Secretaria Especial dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

O abismo entre o discurso e a prática também é flagrante quando entra em cena a cor da pele. Num país de forte miscigenação racial como o Brasil, onde as estatísticas oficiais indicam que pretos e pardos compõem 53,6% da população (IBGE, 2014), seria natural encontrar um quadro parecido com este nas empresas privadas. Mas o que se vê – e neste contexto o verbo assume a função literal – é um verdadeiro apartheid no mundo do trabalho à medida que nos afastamos das funções básicas.

Consubstanciou-se dizer que não existiriam afro-brasileiros suficientes para ocupar as funções além daquelas que exigem baixa escolaridade. Bem, de certa forma, por muito tempo este argumento ganhou contornos próximos da realidade. No entanto, nenhuma análise séria dessa questão pode prescindir de uma abordagem mais complexa e que contemple aspectos importantes da formação da sociedade brasileira. Tampouco sobre a forma de como ela opera.

Na década de 1990, o sucesso do comercial de uma fabricante de biscoitos deu origem à Teoria Tostines, a partir do bordão que fazia o seguinte questionamento: “Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”. Transpondo para uma das vertentes abordadas neste artigo pode-se supor o seguinte: “Existem menos afro-brasileiros em cargos de destaque porque eles são despreparados ou eles são despreparados porque têm menos oportunidades?”. Como ninguém nasce pronto para o mundo do trabalho, é natural que integre a lista de funções estratégicas de uma empresa a tarefa de lapidar e desenvolver talentos. Cuidar da “prata da casa” ajuda a manter o grau de competividade do negócio. Mas como uma empresa pode crescer, se desenvolver e inovar para se tornar competitiva na área global se os gestores descartam, de imediato, 53,6% da população do país?

No período 2005-2015 mais que dobrou o número de afrodescendentes, entre 18 e 24 anos, matriculados em universidades. Saltou de 5,5% de participação na rede pública e privada para 12,8% (IBGE, 2016). Seguindo nesta toada, poder-se-ia dizer que seria razoável supor que efeito parecido acontecesse também nos programas de trainees das grandes empresas. Será que precisa de pesquisa para constatar quão reduzida é a presença de pessoas com estas características nas grandes empresas?

continua …

 

Autora da pesquisa:  4CO (“O panorama da diversidade nas maiores empresas brasileiras”) 

 

Autor do texto e foto de capa:

Rosenildo Gomes Ferreira 

Publisher e editor do portal de notícias 1 Papo Reto (www.paporeto.net.br / www.1paporeto.com.br) e sócio fundador da Girassol 730 Produções Ltda.

 

Afrocriadores _ enegrecendo o conceito de moda criativa

A moda afro virou tendência. O povo preto se empoderou esteticamente e começou a buscar referências de identidade e representatividade no vestir. Estamos na segunda edição do “black is beautiful” no mundo, e esse parece que veio pra ficar.
Esse “boom” criou uma demanda de perfis de consumidores sedentos por espelho e ancestralidade. Há uns cinco anos, negócios de moda, com “black pride” surgem e muitos afroempreendedores começam a montar marcas independentes. A contra ponto, grandes marcas, que sempre primaram pelo padrão eurocêntrico, desde o processo criativo até a contratação de modelos para catálogos e desfiles, aparecem para pegar esse mercado em ascensão e vestir o conceito de diversidade. Muitas esvaziando todo o significado de símbolos de resgate e ancestralidade das nossas raízes.
A representatividade negra aparece em estampas e shapes e não na frente criativa e nas cadeiras de liderança dessas empresas.

 

Afrocriadores


Como uma reação, surgem os Afrocriadores, um coletivo, que nasceu entre conversas nos intervalos de uma oficina e outra do projeto Sebrae Moda Afro. Um movimento que veio para a retomada e o delimitação dos nossos trabalhos na história da moda e da economia criativa.

A proposta do coletivo é empretecer todo o processo “fashion”. É redefinir regras já alimentadas pela moda alicerçada no padrão colonizador.

Trinta e uma marcas, que juntas pretendem ter mais força para mostrar a potência da moda feita por pretos. Sempre apoiando arte. Uma moda feita pra transformar: sem exploração de mão de obra, sem piratarias, primeiras filas e pulseiras vip; sem fôrmas em corpos, cabelos e traços humanos. A representatividade dos produtos se estendem a mentes negras pensantes, criativas e empreendedoras. Nós por nós! Juntos somos potência!

 

Texto de Ligia Parreira

Publicitária, estilista, parceira MBM e uma das organizadoras do coletivo Afrocriadores

 

Caso o que você precisa não exista, então o terá que fazer!

Oi, meu nome é Priscilla Silva, nesse ano de 2017 completei 32 primaveras. Atualmente casada ha 9 anos com Pablo Fernandes e juntos formamos nossa família nada convencional composta por Aliya Fernandes, nossa filha de 6 anos; Notorious Big, nosso cachorro de 8 anos e Dominique Fernandes , minha enteada de 17 anos.

Trabalho no mercado financeiro e me considero uma leitora voraz de blogs. Quando eu nem sonhava em engravidar, acompanhava todos os blogs sobre moda, beleza , life style, maquiagem e afins, mas durante e após a gradivez, eu transferi essa paixão para o contexto materno.

 

Como marinheira de primeira viagem, fiz dos blogs minha principal fonte de informação .

Sou aquela pessoa que vai a fundo sobre um determinado assunto, então eu vasculhava a internet toda em busca de conteúdo de maternidade (deixando de lado aqueles conteúdos jornalísticos), principalmente material sobre a vivência das então mães – isso é algo que me atrai, me encanta!

Com o decorrer do tempo, a bloguesfera materna se tornou insuficiente pra mim. Quanto mais eu procurava , menos eu me encontrava,  e passei a me perguntar o que estava faltando, porque não me via em muitas situações, o que estaria por vir na minha maternidade que aqueles blogs não contemplavam.

Um dia a ficha caiu: a blogosfera materna tem raça e é monocromática branca!! E tudo aquilo que eu sentia era uma completa falta de representatividade.

Por muito tempo procurei e não encontrei nada sobre o cabelo crespo infantil, sobre auto estima da criança negra, sobre os cuidados com a pele da criança negra …

A falta de representatividade nos brinquedos, bonecas, desenhos, filmes e etc eram assuntos que não estavam em questão.

Eu não via uma mãe negra com aquele blog bombástico, cheia de seguidores, com patrocínio das grandes marcas, fazendo encontros de maternidade, sendo doula ou coach de maternidade, aleitamento materno e afins.

A maternidade me tirou do estado de inércia, me fez ir além. Arregacei minhas mangas, fui à luta e falei pra mim mesma:

– Caso o que você precisa não exista, então o terá que fazer.

E foi assim que nasceu o instablog @mae_nada_convencional.

Por ser mais fácil e prático, fiz desse blog no instagram meu diário eletrônico de maternidade, compartilhei minhas experiências no cuidado diário com o cabelo da minha filha, compartilhei meus sentimentos de quando pela primeira vez ouvi sua insatisfação com o cabelo crespo, compartilhei dicas de livros, filmes e brinquedos com diversidade racial e a construção de sua auto estima, e ao longo do tempo as pessoas puderam acompanhar junto comigo as dores e delícias da busca por uma maternidade com representatividade.

https://www.instagram.com/p/BbuJWTOBDHq/?taken-by=mae_nada_convencional

O instablog @mae_nada_convencional já teve muitos altos e baixos , já me conectou com muitas mães que assim como eu também buscam representatividade e empoderamento para suas famílias.

Sigo compartilhando minha vivência e aprendendo muito, e agora com mais um parceiro nessa caminhada e muito agradecida ao blog Movimento Black Money por esse convite!

Vamos juntas nessa viagem que é maternar com o coração e mente em busca de um mundo melhor para os nossos pequenos.

 

Empreendedores Negros – inspiração e superação

Segundo artigo da série Empreendedores Negros, para dar visibilidade aos empreendimentos e ações desenvolvidos por negras e negros no Brasil e no mundo. Abaixo temos empreendedores que são notícia em vários veículos de mídias televisivas e virtuais no entanto nem sempre são de conhecimento da própria população afrodescendente. Vamos a eles:

 

  • Amanda Coelho – Divas Hair Style Center

Recordam-se dicas de ser criativo e inovar para empreender? Foi isso que Amanda fez ao abrir o Divas Hair Style Center, um salão de beleza especializado em cuidar de cabelos crespos. Ela percebeu a demanda ao cuidar das próprias madeixas e sentir falta de locais e profissionais que soubessem lidar com diferentes texturas de cabelos. A ideia deu muito certo e seu salão está completando dez anos.

 

  • Cristopher Gray –  Scholly (EUA)

Cristopher, afroempreendedor estadunidense, criou o aplicativo Scholly que tem como objetivo ajudar estudantes a localizar bolsas de estudos para graduação e mestrado de forma intuitiva, em apenas um clique. Desde que foi desenvolvido até hoje, o app ajudou estudantes a conquistarem mais de 15 milhões de dólares em bolsas. Ou seja, além do impacto no empreendedorismo, a ideia de Cristopher também abriu as portas acadêmicas para milhares de jovens que hoje possuem um diferente horizonte e diferencial competitivo para atuar no mercado de trabalho.

 

  • Ian Black – New Vegas

Mais um brasileiro figurando em nosso ranking e mostrando a que veio! Ian é proprietário da agência de publicidade New Vegas, onde lidera mais de 30 colaboradores. E o sucesso não para por aí: ele já conquistou dois prêmios em Cannes, na França, que nada mais é do que o maior festival de publicidade do mundo todo.

 

  • Monique Evelle – Desabafo Social

Brasileira, Monique está à frente do projeto Desabafo Social, considerado um exemplo de empreendedorismo social. Tanto é que ela foi eleita como uma das 25 mulheres negras mais influentes da internet. O seu programa pretende incentivar crianças e jovens a se tornarem protagonistas nas áreas de direitos humanos e comunicação, por meio de oficinas, palestras e uma atuação bem intensa nas redes sociais.

 

  • Patricia Santos – Empregueafro

Patricia Santos, capa de nosso artigo, além de mãe de 04 filhos é sócia fundadora da Empregueafro, consultoria em diversidade étnico-racial para as empresas e aprimoramento de profissionais negros no mercado de trabalho. A Empregueafro há 13 anos desenvolve responsabilidade social nas instituições em que atua na busca de promover talentos com igualdade. Nomes como Bayer, Braskem, Natura, Avon, Basf, HP, IBM entre outros. Patrícia Santos além de gerir um portfólio complexo e desafiador de clientes com uma equipe enxuta ainda realiza palestras por todo país, é colunista do site Todos os Negros do Mundo, além de consultora em recursos humanos no programa Encontros com Fátima Bernardes, da Rede Globo.

 

Multitalentos a serviço de nossa comunidade, nossos afroempreendedores cada vez mais lutam em prol da igualdade de oportunidades e inclusão. Exemplos de que se não temos espaços no mercado de trabalho então devemos criá-los e abrir caminho para nossos pares e gerações futuras. Façamos parte deste movimento de inclusão e ampliação do afrodescendente em todas as frentes, no verdadeiro sentido de Ubuntu onde juntos somos mais fortes.

Junte-se ao movimento, faça parte da revolução!