MBM na estrada

RD On the Road – Rio de Janeiro

Priscilla esteve no RD on the Road no Rio de Janeiro – O maior evento intinerante de Marketing Digital da América Latina.

 

Technology SuperWomen Summit – São Francisco, California

À convite da Dra Yvonne Cagle (astronauta da NASA) estivemos no Technology Superwomen Summit onde dialogamos com várias mulheres negras e não negras sobre futuro da tecnologia, inovação com responsabilidade social e diversidade em lideranças. Aproveitamos a viagem para encontrar empreendedores negros locais e discutir sobre black money e Vale do Silicio.

 

Nice to Meet You – São Paulo

Nina Silva palestrou para alunos da Faculdade Zumbi dos Palmares na Roche à convite da empresa onde discursou sobre carreira, oportunidade e desafio para profissionais negros nas instituições.

 

Oi Futuro – Aceleração Startup Farm – Rio de Janeiro

O programa Ahead | Labora Oi Futuro é uma parceria inédita do Oi Futuro com a Startup Farm, eleita a melhor aceleradora do país pelo Prêmio Startup Awards 2017.  Até 10 startups de impacto social serão aceleradas em etapas presenciais no Rio e também a distância. O edital busca negócios que tenham em seu produto ou serviço uma solução que ajude a resolver grandes problemas da nossa sociedade. Serão aceitos negócios que atuem em qualquer mercado e, preferencialmente, que façam uso inovador da tecnologia. Clique aqui para se inscrever!

 

Happy Hour Rede de Profissionais Negros – São Paulo

Na semana passada ocorreu mais uma edição do Happy Hour da RDPN que está com inscrições abertas para o programa de mentoria de 2018, gratuito. Maiores informações favor entrar em contato: movimentoblackmoney@gmail.com

130 anos e a denuncia: onde estás Abolição?

Reportagens sobre os 130 anos da Abolição da escravatura denunciam o que a população negra grita ha décadas em nossa sociedade: Liberdade ainda não é para todos!

G1 – 13/05/2018

Eliad e uma conhecida ficaram desempregadas na mesma época. Uma amiga em comum resolveu ajudar. Encaminhou uma vaga de coordenadora de um projeto social em uma instituição pública para a conhecida. Para Eliad, ofereceu trabalho na sua casa, como doméstica. Eliad é negra; a conhecida, branca.

“Quem tinha expertise para trabalhar como coordenadora de um projeto era eu. Mas eu fiquei ali como doméstica. Precisava trabalhar, tinha uma filha para sustentar. É assim que as coisas funcionam”, diz Eliad dos Santos, de 52 anos.

Eliad tem mestrado em Teologia e História, estudou na Universidade de Birmingham, no Reino Unido, e já assessorou e coordenou diversos projetos sociais, principalmente envolvendo temáticas de gênero e raça.

Por conta de sua alta escolaridade, ela acaba se sobressaindo em relação à média de negros no país, que têm índices de educação mais baixos. Mas afirma que, em muitas situações, o preconceito é mais forte que os seus diplomas. “O Brasil é muito cruel nesse sentido, desse racismo velado. É muito difícil mesmo”, diz.

Negros ganham pouco mais que a metade que brancos em média

Negros ganham pouco mais que a metade que brancos em média

De acordo com dados do IBGE obtidos pelo G1, os trabalhadores negros ganham cerca de R$ 1,2 mil a menos que os brancos em média. Os dados são do 4º trimestre de 2017 e fazem parte da Pnad Trimestral, que disponibiliza informações desde 2012. Os números mostram que, entre 2012 e 2017, não houve nenhuma mudança substancial na diferença de rendimento entre negros e brancos.

Especialistas apontam que desigualdades históricas estão por trás das grandes disparidades enfrentadas pelos negros no mercado de trabalho. O menor acesso à educação é um deles, bem como condições de vida mais precárias.

O preconceito e o racismo são o outro lado dessa “herança” centenária, que remete, ainda segundo especialistas, ao período de escravidão.

Há exatos 130 anos, a prática de comprar e vender outras pessoas foi abolida do país com a Lei Áurea, assinada no dia 13 de maio de 1888. Os negros, porém, foram escravos no país durante mais de 300 anos, um período marcado por diversas revoltas, mas também pela naturalização da servidão, segundo Maria Helena Machado, professora da Universidade de São Paulo especialista na história social da escravidão.

“No Brasil, a escravidão permeou a sociedade toda. As pessoas viviam com a escravidão de maneira muito naturalizada. Quando uma sociedade é construída sob uma base dessas, a mudança é bastante longa e difícil, é árdua”, diz a professora.

“130 anos é muito pouco para um país onde todo mundo era dono de escravo”, diz Maria Helena Machado, professora da USP.

Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, a desigualdade no país é histórica. “A forma como houve o processo de colonização do país mais esse processo de escravidão acabam por trazer uma herança muito forte”, afirma.

Segundo Azeredo, a forma como os escravos foram libertados em 1888, sem nenhuma política pública de apoio aos emancipados, diz muito sobre o processo de integração da população de cor preta ou parda na população. “A falta de acesso à educação vai remeter à entrada em postos de trabalho de baixa qualidade e à dificuldade de se inserir no mercado de trabalho.”

Essa herança, segundo Azeredo, fica clara nos números. Considerando os 10% da população com os maiores rendimentos no Brasil, 8 a cada 10 são brancos. Já entre os 10% mais pobres, a proporção se inverte: 8 a cada 10 são negros.

Além da diferença média no salário, há mais trabalhadores negros sem carteira assinada que brancos — 21,8% e 14,7%, respectivamente. A desocupação desagregada por cor de pele também mostra que a taxa das pessoas que se declaram brancas (9,5%) é bem mais baixa que a das que se declaram pretas (14,5%) e pardas (13,6%).

Já entre os índices de educação, os negros também estão abaixo. Apenas 8,8% da população negra com mais de 25 anos frequentou uma faculdade. Para a população branca, esse índice é de 22,2%.

Azeredo destaca que, nos últimos anos da história do país, políticas afirmativas, como cotas em serviços públicos e universidades, foram feitas para tentar diminuir as desigualdades raciais e tornar a entrada de negros no mercado de trabalho mais igualitária. Mas ainda não é possível perceber uma redução na diferença do rendimento médio de brancos e negros.

“Pelo menos nas últimas duas décadas, não percebemos uma redução nessa diferença salarial”, afirma. “A desigualdade já é muito cultural no país.

Experiências negativas no mercado de trabalho

Mesmo quando conseguem ter acesso à educação e se inserir no mercado de trabalho, porém, negros relatam situações de dificuldade por conta de preconceito, mostrando um outro lado da desigualdade cultural a que Azeredo se referiu — aquela que diz respeito não apenas às desigualdades sociais a que negros vivem no país, mas a que reforça estereótipos e racismos.

Willian Carvalho, de 21 anos, conta que conseguiu chegar à faculdade “resistindo” contra esses preconceitos. O estudante, que mora com a família em Perus, bairro da periferia da Zona Norte de São Paulo, diz que gosta de arquitetura e arte desde os 13 anos.

Um primo arquiteto já tinha lhe alertado que seu caminho profissional não seria fácil. “O que me deixava mais triste é por ele sempre reforçar: ‘não vai ser fácil porque você é negro’.”

Hoje, anos depois, ele entende o que seu primo queria dizer. “Criei minha empresa e comecei a pegar projetos. Mas tive a maior dificuldade, pois, quando falava com cliente por e-mail, era uma coisa. E aí quando eu chegava e eles viam que eu era negro, mudava completamente a atitude. Aquela educação formal caía”, diz.

Segundo ele, sua maior dificuldade no mercado de trabalho é provar que é capacitado.

“A gente sempre tem que estar provando dez, mil vezes que somos capazes, que nós tivemos a formação. ‘Você é negro design? Tem alguma coisa errada.’ Não, é possível também”, diz o estudante Willian Carvalho.

Ellen dos Santos, engenheira de computação de 32 anos, conta que passa pela mesma situação. Uma colega se mostrou muito surpresa ao saber da sua formação. “Ela arregalou o olho e falou: ‘Nossa, você fez engenharia?’ Como se eu não fosse capaz.”

Eles contam que as dificuldades não se concentram apenas no ambiente de trabalho, mas no próprio processo de entrada no mercado. “Teve um constrangimento que passei, que fui para uma entrevista de trabalho de trança e ele falou: ‘Olha, não tem como você trabalhar de trança aqui nessa empresa’. E eu perguntei: ‘Por quê?’. ‘Ah, o padrão.’ Quando ouvi essa palavra, já falei: ‘Não vou passar, infelizmente’”, conta Willian.

Eliad diz que sua primeira experiência negativa começou cedo. “Eu tinha de 14 para 15 anos. Eu ouvi alguém dizendo que tinha um dentista que precisava de uma secretária. Eu liguei antes de sair de casa e a moça falou: ’Pode vir que a gente faz uma entrevista’. Quando eu cheguei, ela me olhou assim e falou: ‘Ah, que pena, ele acabou de contratar uma pessoa’. E eu falei: ‘Mas eu acabei de ligar’. ‘Ah, mas ele acabou de contratar’. Aí eu desci no orelhão, mudei de voz e liguei perguntando da vaga. E ela: ‘Ah, pode vir’”, conta.

“Você entrega currículo, quando chega no lugar, as pessoas te olham, dão aquela desculpa. Você nunca é qualificada”, diz Eliad dos Santos.

Para as mulheres negras, Ellen e Eliad afirmam que a dificuldade está também no fato de que, geralmente, elas são ligadas a perfis de emprego doméstico. “Eles associam a mulher a esse estereótipo de que ela serviria apenas para limpar ou para cozinhar”, diz Ellen.

Eliad conta que já foi confundida com funcionária de limpeza diversas vezes. “Eu fui em vários lugares como pastora ou representando algum lugar, e quantas pessoas chegaram e falaram: ‘Será que você pode tirar o negócio ali para mim? Será que você pode pegar o negócio que caiu no chão?’. E eu nem estava de uniforme, estava de salto”, diz.

“Nós fomos o último país a abolir a escravidão. Então, mesmo tendo passado tantos anos, as pessoas associam negros a servidão”, diz Eliad. Ellen concorda: “Acho que isso ainda está muito enraizado e acredito que seja por consequência da escravidão”.

130 anos de emancipação

Segundo Maria Helena Machado, o processo de emancipação dos negros explica a manutenção de certas desigualdades na sociedade brasileira atual. Ela afirma que, mesmo antes de 1888, era uma prática normal escravos comprarem ou fazerem acordos para conseguir a alforria.

Escravos juntavam dinheiro obtido através de trabalhos secundários, como o de venda de cultivos próprios, para conseguir comprar sua liberdade. Muitos passavam anos ou mesmo décadas pagando essa alforria ou trabalhando para finalizar a dívida estabelecida pela liberdade.

Uma carta disponibilizada pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo, por exemplo, expõe a concessão de liberdade ao escravo de nome Geraldo, um lavrador de 42 anos casado com uma mulher liberta, mediante a prestação de serviços a Antonio Joaquim de Souza Costa na Fazenda da Ponte Nova, em São Paulo, por um período de seis anos. A carta é de 1882, seis anos antes da abolição.

“Muitos saíam da escravidão totalmente depauperados. Esse processo de compra impõe condições de dependência. Mulheres, por exemplo, se tornavam criadas, amas de leite. E o sistema do trabalho doméstico é altamente escravista”, diz a professora. Outros, segundo ela, acabavam realizando trabalhos muito semelhantes, senão piores, aos que realizavam quando eram escravos.

“Não se produziram políticas públicas que acolhessem ou que indenizassem o próprio escravo. Foi um sistema indenizatório para os senhores”, diz Maria Helena Machado.

“Você tem um sistema que favorece a manutenção de formas de discriminação do trabalhador e, ao mesmo tem, se vulgarizam teorias raciais que asseguram que o homem e a mulher negra são inferiores e que seus lugares são sob domínio, sob controle.”

O próprio movimento abolicionista, segundo Machado, era muito mais pautado na questão do progresso e de livrar o Brasil de uma ideia ultrapassada como a escravidão. “Não era favorável à população afro. Os próprios abolicionistas em sua maioria eram racistas. Eles queriam modernizar o país, pois o Brasil era mal visto porque tinha escravidão. A igualdade não estava na pauta dos abolicionistas, com raras exceções”, diz a professora.

Ela destaca, porém, que o 13 de maio significa muito. “A lei não permitia mais que uma pessoa fosse comprada e vendida por outra. Mas a maneira como foi realizada, com seus muitos acidentes e manipulações, sem política públicas, gera essas enormes distorção e desigualdade que a gente tem até hoje.”

Segundo a professora, essa perpetuação das desigualdades se dá por meio de concessões e novas roupagens. Ou seja, as desigualdades não são iguais, mas, de acordo com ela, há uma opção por mantê-las. “Há um sentimento, uma maneira de agir generalizada que é produto dessa sociedade escravocrata que nós vivemos no passado.”

*Colaborou Celso Tavares

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/negros-ganham-r-12-mil-a-menos-que-brancos-em-media-no-brasil-trabalhadores-relatam-dificuldades-e-racismo-velado.ghtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=share-bar-smart&utm_campaign=share-bar

*******

ELA – 13/05/2018

Após 130 anos da abolição, mulheres quilombolas se colocam à frente da luta por direitos

Vozes femininas lideram luta por titularidade de terras de quilombos

Da esquerda para a direita, Luciana Adriano da Silva, Lucimara Muniz, Marcia Arruda e Rafaela Fernandes Foto: Thiago Bruno
Da esquerda para a direita, Luciana Adriano da Silva, Lucimara Muniz, Marcia Arruda e Rafaela Fernandes – Thiago Bruno

POR EDUARDO VANINI

“Ser mulher negra quilombola é ser mulher de coragem.” A frase dita pela avó soou como um presságio aos ouvidos de Rafaela Fernandes. Aos 21 anos, a jovem moradora do Quilombo Botafogo, em Cabo Frio, já entendeu o peso da luta que carrega em nome da sua ancestralidade. Também está nas mãos da sua geração manter vivas a memória e a resistência das 120 famílias que vivem ali.

— Comecei a pensar sobre isso quando tinha uns 13 anos. Em rodas de conversas, os mais velhos nos alertavam que não tinham mais a força de antes e que a gente precisava ter essa responsabilidade. Desde então, me engajei — conta a jovem, que já participou de marchas e encontros em diferentes cidades.

De natureza rural, Botafogo está entre os 3.100 quilombos certificados pela Fundação Cultural Palmares, órgão ligado ao Ministério da Cultura que comprova a origem das comunidades por meio de um estudo histórico. De acordo com a entidade, estima-se que existam cerca de seis mil quilombos no Brasil e, atualmente, dois mil estão em processo de reconhecimento.

A certificação garante o acesso a políticas públicas, mas não assegura a titularidade da terra. Isso fica a cargo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e, até hoje, é uma conquista restrita a apenas 41 territórios. Outros 1.715 estão com os processos em andamento.

Diante das dificuldades, lideranças e vozes femininas que vivem nessas comunidades se articulam e tomam a frente dos trâmites, numa verdadeira confraria de força e resistência. Juntas, elas fazem ecoar as vozes de grandes matriarcas como a vó de Rafaela, Odette da Silva, já falecida.

A jovem enxerga o quilombo como símbolo máximo de uma luta que não terminou. Sair de lá não é uma possibilidade. Ali ela aprendeu com a mãe como cultivar alimentos, desenvolveu o grupo de samba Raízes e ouviu histórias fantásticas narradas pelos mais velhos. De olho no futuro, pretende cursar Administração e quer ver a comunidade prosperar:

‘“Essa terra pertence à nossa vida e à nossa alma. Guarda uma história de ancestralidade”’ – LUCIMARA MUNIZ, professora de Letras

— Minha avó pediu que a casa onde ela morava ficasse para mim. Agora estou trabalhando para transformá-la numa ONG, onde vamos oferecer atividades de cultura e esporte. E queremos ampliar nossa estrutura de agricultura familiar.

Nascida no Quilombo de Guarus/Custodópolis, em Campos dos Goytacazes, a professora Lucimara Muniz compartilha da conexão com a terra mencionada por Rafaela. Como diz, ali é o local onde ela fecha os olhos e lembra “que vem de um povo que tem um legado”:

— É quando você sente a história bem de perto. Essa terra pertence à nossa vida e à nossa alma.

Segundo Lucimara, conta-se que a primeira geração de pessoas que moraram ali tiveram suas casas queimadas pelo dono da fazenda, quando a Lei Áurea foi assinada. Mas muitos resistiram e constituíram suas vidas no terreno através de gerações até os dias de hoje. Mesmo assim, a titularidade também não é uma realidade.

Uma das consequências disso é o ciclo de invasões que a região sofre. Como não há a posse, os moradores não têm a quem recorrer. Para a professora, que também é representante da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, isso representa um lamentável quadro de desrespeito:

— As pessoas que vivem ali descendem de um grupo que foi escravizado e formou, naquele lugar, um ponto de resistência. Cada quilombola guarda uma história de ancestralidade para dizer a quem pertence aquela terra.

O próprio Incra reconhece que a titulação não é um processo fácil. Segundo o coordenador-geral de Regularização de Territórios Quilombolas do órgão, Antonio Oliveira Santos, há problemas de ordem técnica e orçamentária.

— O Incra tem sofrido cortes nos recursos destinados a essa pauta. Isso tem afetado diretamente as ações da política, especialmente as indenizações dos intrusos aos territórios — relata. — Além disso, a autarquia não tem mão de obra suficiente para atender a toda a demanda apresentada para a política

 

 

Enquanto a política de titulação segue lenta, a possibilidade de remoção daquele território paira como uma assombração cotidiana sobre quem vive no quilombo. Moradora de uma das comunidades mais famosas do Rio, o Sacopã, na Lagoa, Marcia Arruda conta como é doloroso conviver com a incerteza da falta de posse do lugar onde vive. Ela e as cerca de 30 pessoas que moram ali ainda aguardam a posse pleiteada em dois processos distintos: um de usucapião, que já se arrasta há quase 40 anos, e outro junto ao Incra.

— Eu faço parte da quinta geração de moradores. Imagina ter uma casa que pertence a sua família há mais de cem anos e, de repente, você ter que sair dali? Não há paz de espírito assim — afirma ela, comentando que, mesmo sem a titularidade, o grupo é frequentemente assediado por construtoras que oferecem entre R$ 5 mil e R$ 10 mil para deixar o local.

Com o seu tio e líder do quilombo, o músico Luiz Sacopã, chegando aos 75 anos, Marcia tem se inteirado cada vez mais dos processos de posse. A experiência tem sido reveladora.

— Minha vó morreu com 92 anos e meu pai, com 86, tendo sido nascido e criado aqui. Ou seja, há uma história de pessoas que nasceram e morreram nessa terra. Não consigo me ver morando em outro lugar — diz. — Ao mesmo tempo, parece que estamos passando o bastão de um para o outro sem nunca ter a posse de onde vivemos.

O Sacopã ocupa uma área de 33 mil metros quadrados com casas na mata, compondo um raro ambiente para o meio urbano. Mas quem vive ali acompanha toda a rotina de uma cidade. Vários moradores se graduaram e construíram uma carreira no mercado de trabalho, como a própria Marcia, que foi comissária de bordo por mais de dez anos e hoje trabalha com transporte escolar. Mesmo assim, muitas pessoas ainda visitam o local achando que vão encontrar algo primitivo.

— Tem muitas crianças que vêm aqui pelos colégios e ficam surpresas ao encontrar casas normais, com TV e internet. Já os adultos ficam admirados quando dizemos que trabalhamos e fazemos faculdade — conta.

A quase 200 quilômetros do Sacopã, está a casa de Luciana Adriano da Silva. Ela foi a primeira moradora do Quilombo Santa Rita do Bracuí, em Angra dos Reis, a se graduar, trajetória atualmente seguida por outros cinco moradores. Formar-se na Licenciatura em Educação do Campo pela UFRRJ foi um passo importante para que pudesse protagonizar avanços dentro e fora da comunidade.

— Já viajei para várias cidades e dei palestras em escolas e faculdades. O curso foi decisivo para que me tornasse capaz de contar a nossa história, muitas vezes relatada por pessoas de fora — comemora.

Com a difusão de mais conhecimento entre os moradores, a comunidade também passou a fazer um uso ainda mais aprimorado da terra. As queimadas foram deixadas de lado e a produção de orgânicos entrou em cena.

No legado cultural, a festa de Santa Rita e as rodas de jongo são o ponto alto e atraem visitantes. Luciana, diga-se de passagem, adora se apresentar com a dança:

‘“A maioria das coisas é tocada por mulheres hoje em dia. Somos a maior força dessa luta”’

— Fico emocionada e honrada ao mostrar algo que meus antepassados faziam para aliviar a dor.Os tempos mudaram, mas resistir ainda é vital.

A professora da Faculdade de Educação da UFF Elaine Monteiro, que desenvolve uma série de trabalhos com comunidades jongueiras e quilombolas, observa como a ameaça a essas comunidades é indissociável do racismo.

— No senso comum, quilombolas “ganham” terras e os ditos proprietários “perdem”. Em um país racista e patrimonialista, perdê-las para pessoas pretas é inconcebível tanto para a sociedade quanto para o Estado, que torna o processo de titulação extremamente moroso — avalia.

Como ela menciona, o próprio Bracuí, onde vive Luciana, é emblemático. A comunidade tem o testamento com a doação da área para as famílias, mas o processo de titulação se arrasta desde 1999. É por isso que mulheres como Luciana se colocam no front. No que depender delas, a luta vai longe. Com suas ancestrais, a educadora aprendeu que o poder de uma mulher nunca deve ser subestimado. Além de ter avó e mãe ligadas à militância, ela também se ampara em figuras como Joana Azevedo, uma antiga moradora do quilombo que não tinha medo de enfrentar os latifundiários.

— Certa vez, diante de uma ameaça de remoção, ela se trancou em casa e disse que só sairia de lá morta. Saiu vitoriosa — conta. — No quilombo é assim. A maioria das coisas é tocada por mulheres. Somos a maior força dessa luta.

Fonte: https://oglobo.globo.com/ela/gente/apos-130-anos-da-abolicao-mulheres-quilombolas-se-colocam-frente-da-luta-por-direitos-22669863#ixzz5FQqclhrK

Novas faces da negritude

  • Por Carlos Rydlewski | Para o Valor, de São Paulo

Desde já, uma advertência: esta reportagem contém pequenos testes. Mas não se assuste. Eles são de simples solução, ainda que tragam conclusões complexas. Eis o primeiro. Em um ambiente de caráter mais elitista, olhe ao redor. Conte quantos negros o espaço acomoda. A resposta será alguma coisa entre zero e pouquíssimos. Não estranhe, porém. No Brasil, tal vazio é, por assim dizer, comum. Aliás, os afrodescendentes, que compõem a maioria da população brasileira e são 55% do total, fazem o mesmo exame. Eles o chamam de “teste do pescoço”, em referência à parte do corpo que gira para os lados, como um periscópio, durante esse tipo de inspeção. O resultado, todos sabem, é invariável e historicamente o mesmo.

Levantamentos de toda sorte confirmam a prevalência de brancos nesses locais no Brasil. Uma pesquisa do Instituto Ethos, só a título de exemplo, mostra que os negros ocupam apenas 4,7% dos cargos executivos e 6,3% dos postos de gerência nas 500 maiores empresas do Brasil. No caso das mulheres negras, tal presença é ainda mais rarefeita. Os números são, respectivamente, 0,4% e 1,6%.

Tudo isso é inegável. Mas a chamada “questão racial” apresenta, hoje, nuanças intrigantes. Embora incipientes, elas estão nas ruas, agindo em conjunto. Eis a lista. Está saindo das universidades a primeira grande leva de negros formados dentro do sistema de cotas. Em paralelo, grupos de afrodescendentes apoderaram-se dos espaços digitais, dando novo alcance ao debate e às denúncias sobre o racismo. Políticas de gestão de diversidade, que resultam na inclusão de negros em postos qualificados de trabalho, também ganham tração em companhias instaladas no Brasil. Por fim, empresas, agências de publicidade e institutos de pesquisa começam a se interessar pelos afro-brasileiros sob um aspecto até aqui pouco usual – como consumidores.

Considere, agora, uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, em 2017. Ela constatou que o tempo médio de estudo dos negros passou de 5,9 anos, em 2002, para 8,6 anos, em 2015. Foi um salto de 35%. Entre os não negros, houve elevação, mas foi inferior: 22%. Além do mais, o percentual de pretos e pardos – como o IBGE define o grupo de negros – com diploma de graduação dobrou entre 2007 e 2015. Além do mais, 75% das pessoas que ascenderam à classe média na última década eram afro-brasileiros, ainda que parte dessa escalada tenha sido comprometida nos anos bicudos da recessão. Estima-se, por fim, que os negros movimentaram R$ 1,6 trilhão no ano passado.

O mercado de trabalho é um aspecto importante nessa transformação, ainda que lenta. O antropólogo Pedro Jaime, autor de “Executivos Negros, Racismo e Diversidade no Mundo Empresarial” (Edusp), identificou uma alteração singular na forma como duas gerações de afrodescendentes alcançaram cargos de direção ou gerência nas empresas nacionais.

“Um grupo ascendeu nos anos 70 como resultado de iniciativas individuais”, afirma Jaime. “O outro começa a ocupar postos semelhantes, mas sua trajetória é fruto de uma ação diferente, pois é coletiva.”

Para o acadêmico, a guinada do individual para o coletivo foi resultado de dois fatores. Houve, por um lado, uma maior politização dos debates sobre racismo, em grande medida, intensificados pelas discussões sobre cotas. O outro componente foi a adoção por parte de empresas de políticas de diversidade. Esse tipo de técnica de gestão parte do princípio segundo o qual equipes heterogêneas de trabalhadores, e isso vale para etnia, gênero, credo, orientação sexual e idade, trazem benefícios para os negócios: diminuem a rotatividade de funcionários, atraem e retêm talentos e, entre outras vantagens, criam times mais propensos a inovador. De quebra, observa Jaime, a diversidade atenua tensões sociais como a demanda pela presença de “minorias” no ambiente empresarial.

A pesquisa do Instituto Ethos, cuja última edição é de 2016, constatou que somente 3,4% das 500 maiores companhias brasileiras têm metas e ações planejadas para ampliar a presença de negros em cargos executivos. O percentual é pequeno, mas essas firmas são gigantes em seus setores. A lista inclui grandes nomes como Bayer, Basf, IBM, Google, Microsoft, Avon, Dow. Acrescente-se que, em algumas delas, está em curso uma ruptura cultural, com a formação de núcleos de funcionários encarregados de discutir e encaminhar a questão do racismo dentro das quatro paredes da empresa.

Ricardo Gonçalves, executivo-sênior de TI na Bayer; Raphaella Martins, gerente de contas da agência de publicidade J. Walter Thompson; e Leila Luz, da área de comunicação para a América Latina da Basf, integram grupos desse tipo. Gonçalves conta que só tomou consciência do problema racial dentro do ambiente corporativo.

Djamila Ribeiro foi barrada em uma festa quando criança por ser negra e foi servida na calçada: “Alguma pessoa branca já passou por isso exclusivamente por ser branca?”

“Como ralei muito durante toda a vida, sempre achei que a ascensão no mercado de trabalho dependia apenas do esforço pessoal”, afirma. Mas, à medida que ele participava das discussões sobre diversidade na empresa, mudou de opinião. “Comecei a fazer o teste do pescoço nos lugares onde frequentava e a questionar: realmente, onde estão os negros?”

Raphaella, por sua vez, havia trabalhado 15 anos em agências de publicidade e estava “cheia” de ser a única negra em um cargo executivo nesses locais. Ao entrar na J. Walter Thompson, em 2014, decidiu incluir afrodescendentes em sua equipe. Essa disposição encontrou ressonância na cúpula da companhia. Nessa época, Ricardo John, vice-presidente de criação da agência, tateava o tema diversidade. Não foi difícil que o interesse de ambos convergisse. Como resultado, os negros em postos estratégicos da empresa passaram de 2, em 2014, para 30 (20% dos funcionários) atualmente. “Mas a experiência não se resumiu aos números”, diz Raphaella. “Ela desencadeou um processo de conscientização que atingiu todos na agência.”

Em tais debates, porém, muitas vezes emergem rusgas – e não consensos. “Mas algum tipo de desconforto também pode ser útil”, afirma Leila Luz, da Basf. Em uma ocasião, ela contratou um funcionário negro. Uma colega lhe indagou se a cor da pele do candidato havia influenciado na decisão. “Ora, pessoas brancas contratam brancos o tempo todo, e ninguém faz esse tipo de questionamento”, diz Leila. “Nesse caso, expus o meu ponto de vista e foi bom. Isso ajudou a superar o problema.” Ela observa, contudo, que o resultado líquido da atuação desses grupos nem sempre é animador. “Fico na expectativa de ouvir um diálogo transformador, mas, na prática, as pessoas tendem a reproduzir o senso comum.”

Por isso, se há uma discussão que os jovens negros consideram totalmente inócua é se existe racismo no Brasil. E o motivo é simples: eles são alvos permanentes de preconceitos. O consultor de comunicação Rodrigo Fernandes, por exemplo, estava em pé na frente de um restaurante de alto padrão nos Jardins, em São Paulo, onde almoçaria com um amigo. Um homem desceu de uma Mercedes e lhe entregou a chave do carro. “Fui confundido com o manobrista”, afirma Fernandes.

Outro ponto de transformação é a tecnologia, que, como em tudo mais na atualidade, abre espaço para outras mudanças. “Até agora, as revoluções na mídia, com o rádio, a TV e a primeira fase da internet, foram brancas”, diz Adilson dos Santos Júnior, conhecido como AD Júnior, um expoente entre os influenciadores negros nas redes sociais. “A diferença é que, agora, temos isto”, acrescenta, apontando para um smartphone. “Somos mais de 110 milhões de pretos e pardos no Brasil e ganhamos voz no mundo digital.”

“Um grupo ascendeu nos anos 70 (…) como resultado de iniciativas individuais; outro (…) é fruto de uma ação diferente, pois é coletiva”, diz Jaime

É longa a lista de afrodescendentes em alta nas redes sociais. Nesse caso, chama atenção a presença de mulheres como a arquiteta Stephanie Ribeiro e Djamila Ribeiro, ex-secretária adjunta de Direitos Humanos em São Paulo. Os coletivos da web, como Blogueiras Negras e Levante Negro, também compõem essa tribuna digital. O Levante, por exemplo, foi criado em 2015. Ele divulga trabalhos de negros em áreas como comunicação, educação ou gastronomia.

“A ideia é levar para a audiência uma representatividade concreta, que sirva de inspiração para jovens em início de carreira”, afirma o escritor Oswaldo Faustino, autor de “A Legião Negra – A Luta dos Afro-Brasileiros na Revolução Constitucionalista de 1932” (Selo Negro). “Mas, por uma ironia cruel, o grupo tem sido alvo de ataques frequentes. As acusações como de ‘vitimismo’ se tornam rotina na vida de seus integrantes, que trabalham com a curadoria e produção de conteúdo educativo de alta qualidade.”

AD Júnior é especialista em marketing digital formado pela Universidade da Califórnia, em Irvine (EUA). Hoje, vive na Alemanha. Em 2012, criou um canal sobre viagens no Facebook. Assustou-se com os comentários. “Algumas pessoas perguntavam como um ‘macaco’ podia falar inglês”, afirma. As ofensas amontoaram-se até que AD resolveu transformar o canal em uma plataforma antirracista.

Djamila Ribeiro, destaque entre as atuais blogueiras negras, conta em um de seus textos que, na infância, uma amiga lhe convidou para ir a uma festa. Chegando lá, ela e seus irmãos não entraram na casa, pois um tio da garota não gostava de negros. Djamila e os irmãos foram servidos na calçada. Isso até que, indignados, debandaram dali. É Djamila quem faz a pergunta que compõe o segundo teste desta reportagem: “Alguma pessoa branca já passou por isso exclusivamente por ser branca?”.

DivulgaçãoLupita Nyong’o, Chadwick Boseman e Letitia Wright, atores do longa-metragem “Pantera Negra”: “utopia da negritude”

Não raramente, situações dessa intensidade levam à resignação. Em outros casos, produzem um reforço identitário. Patrícia Santos, especialista em RH, perdeu um emprego por ter feito trancinhas nos cabelos. “Minha chefe disse que eu não estava de acordo com o ‘dress code’ da empresa”, afirma. Em resposta, e com o tempo, ela fundou a EmpregueAfro, consultoria de RH especializada na colocação de negros no mercado de trabalho. Fernando Montenegro, por sua vez, não se conformou com o fato de pretos e pardos serem invisíveis para muitos setores do mercado. Ele criou um instituto de pesquisas focado na análise do comportamento de consumo de afro-brasileiros. Trata-se do Think Etnus.

Cansada de papéis secundários e estereotipados, a atriz Maria Gal também reagiu. Ela começou a produzir, e vai protagonizar, um filme sobre Carolina Maria de Jesus (1914-1977). Negra, favelada, semianalfabeta, Carolina registrava seu cotidiano em papéis colhidos no lixo. Transformou-se em escritora, traduzida em vários idiomas, autora de livros de como “Quarto de Despejo” (1960).

“Só 4,4% dos filmes produzidos no Brasil têm atrizes negras no seu elenco principal”, afirma Maria Gal, justificando sua decisão de empreender. “E já desisti de um teste, porque o diretor achava a pele branca mais comercial do que a minha.”

O debate sobre o racismo no Brasil sempre se deu no campo do interdito, patinando entre falsas premissas, ambivalências e tabus. No fim do século XIX, a ciência construiu a ideia de que as raças eram biologicamente determinadas. Por aqui, tal lógica, o racialismo, encontrou guarida no médico Nina Rodrigues (1862-1906), de origem negra. Tal corrente considerava os negros inferiores. Assim, difundiu-se a tese de que era preciso branquear a população no país. Algo que de fato foi tentado por meio, por exemplo, da política de atração de imigrantes europeus.

A partir da segunda metade do século XX, essa teoria desmoronou. Com os avanços da ciência, as categorias raciais passaram a ser vistas como socialmente construídas, e não inatas. Mas o desmanche do racialismo não teve grande utilidade prática. Como diz Kwame Appiah, professor de filosofia da Universidade de Nova York (autor de “Lines of Descent: W.E.B. Du Bois and the Emergence of Identity”), continuamos a nos classificar por raças, apesar do que nos diz a genética. Queiramos ou não, como afirma a antropóloga brasileira Lilia Moritz Schwarcz, na prática, raça ainda é um conceito poderoso e persiste como marcador social.

Já durante boa parte do século XX, os brasileiros viveram sob o doce mito da democracia racial. Grosso modo, ele propagava ao mundo que o Brasil escapara do preconceito e da discriminação. À primeira vista, esse conceito pode parecer um produto genuinamente nacional. Mas não é. Deborah Yashar, professora de política na Universidade Princeton, apontou em um artigo publicado na revista “Foreign Affairs” (“Does Race Matter in Latin America?”) que a mesma fábula seduziu diversos países latino-americanos. Eles difundiram mitos gêmeos de unidade nacional e homogeneidade étnica como parte do processo de construção da identidade nacional.

Em 1925, por exemplo, o filósofo mexicano José Vasconcelos cunhou o termo “raça cósmica” para glorificar o caráter inter-racial daquele país. Os venezuelanos usavam a expressão “cafe con leche” para celebrar o amálgama entre africanos, europeus e índios. Disse o general equatoriano Guillermo Rodríguez Lara, após assumir o poder em 1972: “Não há mais um problema indígena. Todos nos tornamos homens brancos quando aceitamos os objetivos da cultura nacional”. No Peru, o general e ex-presidente Juan Velasco Alvarado (1968 a 1975) foi mais longe. Proibiu o termo “índio” nos discursos oficiais. Em 1969, alterou o nome do Dia do Índio para Dia do Camponês.

Por aqui, coube a Gilberto Freyre, o autor de “Casa-Grande & Senzala”, interpretar o Brasil como um país mestiço e o brasileiro, como uma metarraça. O paraíso racial erguido por Freyre começou a desabar nos anos 50, com os sociólogos Roger Bastide e Florestan Fernandes (este autor do clássico “A Integração do Negro na Sociedade de Classes”). Na mesma toada desmistificadora, seguiram Fernando Henrique Cardoso e Octávio Ianni. FHC, aliás, foi o primeiro presidente brasileiro a admitir a existência do racismo no país.

Hoje, por mais que despontem ações individuais, o que se chama de movimento negro é um conjunto de grupos que atuam em áreas diversas. Eles se articulam em situações pontuais e mantêm entre si uma espécie de comunhão de princípios. “Ainda assim, resta o desafio de construção de uma síntese”, diz Douglas Belchior, da Uneafro, entidade que prepara jovens negros para vestibulares e concursos públicos.

Nesse sentido, cogita-se da formação da Frente Alternativa Preta, o esboço para a formação de um partido de base étnica. A pauta de boa parte desses grupos inclui reivindicações por avanços tanto nas ações afirmativas como em políticas de reparação histórica. As primeiras são pontuais e transitórias, como as cotas, as outras visam atacar desigualdades estruturais, com iniciativas de longo prazo e investimentos permanentes em áreas específicas.

BloombergEm 50 anos de combate a discriminações houve avanços e perdas, diz Stiglitz

Políticas de ação afirmativa, embora tenham nascido nos Estados Unidos, nos anos 60, são um fenômeno global. Foram largamente usadas na Malásia, por exemplo, no fim do século passado. Hoje, o tema atravessa o mundo, atingindo inclusive a Europa, palco de permanentes fluxos migratórios. Como diz o filósofo indiano Kenan Malik, ali, tal debate é fruto do “fiasco do multiculturalismo”, em que estão atolados os países europeus.

Para Graham K. Brown, da Universidade da Austrália Ocidental, e Arnim Langer, da Universidade de Leuven, na Bélgica, autores do livro “Building Sustainable Peace”, tais programas de ação afirmativa tiveram sucessos semelhantes e foram vítimas de fracassos similares. A maioria reduziu disparidades econômicas, ainda que com frequência menor do que seus formuladores gostariam. As ações, observa a dupla, tendem a realçar divisões étnicas, embora a inquietação racial possa ceder à medida que a desigualdade diminui.

No Brasil, seis anos depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter confirmado constitucionalidade da lei de cotas, em 2012, os balanços da maior ação afirmativa já adotada no país têm sido positivos. Os dados indicam que, entre 2012 e 2015, o número de estudantes pretos ou pardos passou de 933 mil para 2,1 milhões nas universidades federais. Foi um salto de 132%. Diversas pesquisas afastaram temores segundo os quais os cotistas teriam um desempenho acadêmico pífio ou engrossariam as estatísticas de evasão.

A maior dificuldade do sistema diz respeito à definição de quem é negro, uma tarefa árdua em um país de “quase pretos”. Para escapar dessa sinuca, as universidades recorrem a entrevistas para avaliar o fenótipo dos estudantes (como nariz, cabelos), uma análise sujeita a imprecisões ou a autodeclaração do candidato, que dá margem a fraudes. Mas problemas desse tipo, afirmam especialistas, não comprometeram até aqui a tentativa de equalizar, ainda que minimamente, as oportunidades de educação no Brasil.

Mas um alerta indigesto sobre a questão racial soou no mês passado, em um artigo do economista Joseph Stiglitz, vencedor do Nobel, em 2001, com o título “Quando vamos superar o racismo?”. No texto, ele indica que, em 50 anos de combate a discriminações nos Estados Unidos, houve avanços em alguns setores (caso da política, com a eleição de Barack Obama), em muitas áreas o quadro permaneceu o mesmo (disparidades na educação e no emprego) e, em outras, a situação agravou-se (desigualdade de renda e riqueza). Esse balanço é detalhado no livro “Healing our Divided Society”, organizado Fred Harris, ex-senador e professor da Universidade do Novo México, e Alan Curtis, o CEO da Fundação Eisenhower. Stiglitz, que colaborou com o projeto, define a leitura do texto como “sombria”.

Quanto às aspirações dos afrodescendentes, eles parecem ter sido captados recentemente por uma fonte insólita: Hollywood. Considerando o efeito produzido nas plateias, “Pantera Negra” consolida uma espécie de “utopia da negritude”. No filme, um super-herói assume o trono de Wakanda, um pequeno país africano. Ele se faz passar por pobre e rural, mas detém uma tecnologia tão evoluída quanto poderosa. O protagonista vive um dilema. Deve guardar o segredo dessa riqueza, e com isso garantir a prosperidade e a segurança de seu povo, ou precisa compartilhar esse conhecimento com o mundo, notadamente com comunidades negras massacradas planeta afora. Mais do que um delírio de poder pan-africano, a história atrai pela forma como apresenta homens e mulheres negros. Eles surgem na tela como orgulhosos protagonistas de seus destinos. Não parece ser outro o anseio na vida real.

Fonte: Valor Econômico

Black Money: Empreendedores criam negócios para fortalecer a comunidade negra no país

As projeções otimistas sobre o aumento e qualificação dos níveis de emprego para este ano foram desmanteladas com as novas pesquisas onde identificaram o crescimento em 1.3% do desemprego no Brasil no primeiro trimestre de 2018 comparado com o último trimestre de 2017. A falta de oportunidades no país atinge 13.1%, deixando à margem cerca de 13.7 milhões de brasileiros. Em uma seara de escassez ainda nos deparamos em como esse problema atinge de forma mais brutal a população negra. 63.7% da população desempregada no país é preta ou parda, ou seja: de cada 3 DESEMPREGADOS no Brasil 2 são NEGROS.

Com a alta do desemprego o brasileiro continua na missão cada vez mais difícil de se reinventar (Baixe aqui o ebook: +20 formas de ganhar uma renda extra).

Ao olhar para a realidade do grupo que esta ativo no mercado de trabalho a desigualdade continua: o abismo socioeconômico onde negros recebem salários 40% menor que brancos. Ponto central do início da reportagem do Programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios do dia 29/04/2018, que trouxe o estudo do Instituto Locomotiva onde demonstra 800bi de reais seriam introduzidos na economia se brancos e negros recebessem o mesmo salário.

Para a população negra no Brasil o empreendedorismo muitas vezes preenche a lacuna da empregabilidade como alternativa de manutenção/geração de oportunidades e renda. Abrir o negócio próprio e valorizar suas origens e cultura é a forma como grupos investem na economia para incentivar renda entre a população da sua comunidade. Essa filosofia está em varios grupos etnicoraciais em todo o mundo e tem sido reconhecida na comunidade negra como a filosofia do Black Money. Entenda o que é o Black Money e confira a participação do MBM e outros agentes do ecossistema afroempreendedor de São Paulo:

(clique aqui para assistir)

Falar e agir sobre o prisma do Black Money é falar de sustentação de toda a piramide: atuando na base, incentivando o consumo consciente do consumidor negro junto ao afroempreendedor (negros são 75% dos 10% mais pobres do pais) movimentariamos toda a estrutura. Essa estratégia de sustentabilidade e emancipação de um grupo traz maior independência e oportunidades para negros e não negros.

O Movimento Black Money tem como meta estimular a geração de negócios de modo a ampliar as oportunidades de trabalho e renda para os negros no Brasil, com base em inovação e empreendedorismo. Números indicam que o afroempreendedorismo já é uma realidade e que só precisa de maior comunicação e alicerce da base para circulação e trocas dentro dessa rede: baseado na Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad), o Sebrae aponta que, em dez anos, a quantidade de empreendedores negros cresceu 29% no Brasil. No segmento das micro e pequenas empresas – aquelas que faturam até R$ 3,6 milhões por ano –, o percentual de empresários negros passou de 43% para 50%. Somos os que mais empreendem mas ainda sofremos com escalabilidade e inovação tecnologica em serviços e produtos por não termos acesso à credito e educação empreendedora.

O Movimento Black Money além do fomento das relações dentro da comunidade negra, vem à luz com denuncias e informacoes junto às instituições financeiras e empresariais para engajar toda a sociedade para o compromisso da diminuição das desigualdades socioeconomicas no país.


Epsy Campbell é a primeira Mulher Negra a ser vice presidente na América Latina

Epsy Campbell tornou-se a primeira mulher negra a ser vice presidente na América Latina em um período em que estamos sedentos de representatividade na política e em outros espaços.
A afro costarriquenha é economista e possui histórico como deputada e fundadora do PAC (Partido da Ação e Cidadania). Apos ter concorrido por 2 vezes à presidência da republica, Empsy é eleita na dobradinha com Carlos Alvarado, novo presidente da Costa Rica.
A campanha da mesma foi pautada fortalecida pela Diversidade, principalmente na liberação de casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Com mais de 60% dos votos, a chapa de Empsy tomará posse no próximo mês. Epsy é reconhecida pela sua atuação internacional de combate ao racismo e ao sexismo, dedicação na defesa dos direitos das mulheres e no desenvolvimento social.

Remetemos o cenário político brasileiro: quem são os atuais candidatos? Quais são suas pautas e agendas? Quais possuem históricos profissionais e “ficha limpa”?

O Brasil ocupa a 161ª posição no Ranking de Presença Feminina no Poder Executivo, dentre os 186 países analisados pelo Projeto Mulheres Inspiradoras (PMI). Sabemos que passou da hora de formarmos nossos lideres e empossa-los para real representatividade de quem sente o compromisso com os principais marginalizados. Mulheres, Negros, LGBTQ e pessoas com necessidades especiais estão expostos e lutando por oportunidades mais igualitárias, no entanto, não conseguem que suas vozes ecoam tao alto quanto dominação sobre privilégios. No brasil as mulheres negras são o maior grupo demográfico brasileiro, correspondendo a 27% da população, apesar de serem pouco representadas na política. O exemplo mais recente do quanto os partidos não estão atentos à disparidade de gênero e raça na política são os números das últimas eleições municipais (2016). Cerca de 68% das cidades sequer tiveram uma candidata à Prefeitura. O reflexo disso é que hoje, a cada dez municípios, somente um é administrado por uma mulher. No recorte por raça, a disparidade é ainda maior: 61% dos prefeitos eleitos foram homens brancos. Apenas 1,5% homens negros e menos de 1% mulheres negras.

A exemplo de Epsy Campbell temos algumas mulheres negras que poderiam ocupar cargos de força e robustez no Executivo e no Legislativo em nosso pais. Sueli Carneiro, pesquisadora, ativista fundadora do Geledes, o maior portal de noticias da população negra do pais, sempre foi um nome celebrado dentro do Movimento Negro pelo grau de relevância na luta dos direitos humanos. Jurema Werneck, médica e fundadora da Ong Criola e uma das maiores ativistas em prol da saúde da mulher negra. Atualmente represente da Anistia Internacional. Rachel Maia, CEO por 9 anos da Pandora Brasil, industria de luxo, a qual cresceu de 2 para 98 lojas durante a gestão da grande executiva. Rachel possui dois projetos de impacto social, o Mulheres do Sim, de fomento à participação de mulheres no empreendedorismo, e o projeto Capacita-me, este ultimo focado em jovens e adultos à margem de oportunidades que recebem capacitação no mercado de varejo.
O que essas mulheres têm em comum? Alto grau de excelência em suas realizações, perfil de liderança com foco em pessoas, busca de equidade para as Diversidades e senso de urgência na mudança sócio econômica em seus países.

“Acreditando que a transformação real – a única que nos levará à cidadania plena e verdadeira – nasce da participação sistemática e séria na vida pública e no poder político. Nós, afrodescendentes, temos de ser capazes de conduzir nossa própria história, que seja transnacional, ser capazes de olhar nossas necessidades e as necessidades de outros povos que padecem dos mesmos problemas, seja em que parte for da nossa América Latina.”
Epsy Campbell

Sigamos o exemplo do povo da Costa Rica que ao eleger  Psy como vice presidente deu visibilidade a posições de destaque de Mulheres Negras à frente dos Poderes Executivo e Legislativo e não como o ocorrido no Brasil onde a única representante negra na câmara de vereadores do Rio de Janeiro foi silenciada por exercer seu papel de denuncia a injustiças sociais de dentro da própria maquina governamental.
Vida longa e frutífera à Epsy Campbell e por mais Marielles com sede de justiça.

Diversity Washing, um atentado contra as políticas de Diversidade

O termo “Green Washing” – uma empresa que divulga empregar práticas ecologicamente corretas ou sustentáveis, mas não fez nenhuma mudança além de colocar latas de coleta seletiva na cozinha – é bastante utilizado por organizações ambientais e seus ativistas. Porém o termo Washing parece não ter se limitado a área da ecologia e avançou para o terreno da Diversidade.

Empresas com equipes variadas tendem a lucrar até 33% a mais que equipes homogêneas (estudo da McKinsey Co, 2017) ,embora seja perceptível mudanças no comportamento da mídia, principalmente após os EUA e Brasil terem eleito um negro e um nordestino como presidentes- respectivamente-, as minorias ainda não sentiram mudanças nas estruturas organizacionais.
“Existe um desrespeito completo quando falamos de equiparação e reparação nas temáticas de diversidade. Assim como as escolas usam capoeira para justificar que cumprem a obrigatoriedade da lei 11.645 de Ensino da História da África e dos Afrobrasileiros, muitas empresas usam eventos corporativos e peças publicitárias para cumprir por tabela as temáticas de Diversidade cada vez mais latente”, adverte Alan Soares, fundador do Movimento Black Money.

Segundo estudo da consultoria Santo Caos lançado em São Paulo no dia 26/03, empresas que incentivam internamente programas de diversidade possuem 16% maior engajamento de seus profissionais (negros e não negros).
“Ações de algumas empresas no dia 08 de Março demonstram que mulheres e outras diversidades não possuem participação, muito menos inserção em níveis estratégicos pois estas organizações realizaram ações de marketing ofensivas e sem representatividade real, como o caso de uma rede de fast food, no Dia Internacional da Mulher”, afirma Nina Silva – Presidente do Movimento Black Money e Project Manager na Thoughtworks.

Cada vez mais presentes a partir da transformação digital, as denúncias e flagrantes de atos abusivos discriminatórios surgem na rede e provocam reações de consumidores e militantes a exemplo do ocorrido com uma grande franquia de hambúrguer, que nesta semana teve registrado um caso de injuria racial atrelado a sua rede, quando um cliente foi denominado como “macaco” por um funcionário no cupom fiscal. “Fatos como este tem sido cada vez mais corriqueiros, o que dizer de uma loja de roupas, instalada no bairro dos Jardins (SP), que se diz voltada ao público gay? Que na festa de lançamento de coleção acusou e ainda registrou queixa contra jovens ,que eram os únicos negros da festa, de terem furtado um sabonete usado. Este é o retrato do Brasil Racista, em sua estrutura, que assassina Claudias e Marielles” relata Rodrigo França, sociólogo e ator da peça Contos Negreiros, sucesso de público no Rio de Janeiro que defende a assinatura da petição de repudio contra a loja. ( Link para petição contra a loja – http://bit.ly/repudioracismo )

 

A área da publicidade é uma das mais acusadas, de atuar neste processo de Diversity Washing, pelos ativistas pró diversidade. “As empresas não criam nenhum empecilho para aceitar o dinheiro dessas ditas ‘minorias’, produzem peças publicitárias utilizando-os _ caso recente do comercial estrelado pela drag queen Anny B e uma menina negra – mas não vi nenhum desses dois grupos representados na última contratação de trainees ou no board da empresa. Pior ainda foi ver que a peça publicitária pertence a mesma rede de hamburguês que tratou seu cliente como macaco, explicitando o paradoxo entre discurso e prática”, reforça Alan Soares.

“Mas mesmo usando de publicidade para mascarar falsas diversidades, algumas instituições recaem no antigo sistema discriminatório e explicitam nas mídias conteúdos que realçam o despreparo e até descaso, como foi o casa da campanha Black is Beautiful, onde o slogan de identidade negra foi utilizado para retratar um papel higiênico de cor preta, e da marca de sabonetes onde a modelo negra troca de pele com uma modelo branca.
Na última semana ainda foi noticiado o caso do aluno da faculdade que tirou foto e escarnou sobre outro aluno negro chamando-o de escravo no whatsapp com os colegas. Em tempo, a Instituição apenas suspendeu o criminoso.”, completou Rodrigo França.

A “lavagem da diversidade” é tido como o movimento atual de empresas que, por exemplo, até abonam as horas de trabalho de mulheres no dia 08 de Março mas não atuam em abusos diários dentro do próprio ambiente de trabalho, desde manterrupting a questões de assédio. “As empresas falam de diversidade de orientação sexual mas não possuem o mínimo conhecimento sobre como absorver homens e mulheres transgênero em seu quadro. As práticas do racismo institucional apenas ressaltam e reforçam as disparidades dentro das maiores empresas do país onde mulheres ocupam 13,7% e negros 4,7% do conselho executivo destas corporações.” ressalta Armando Julio, universitário de 20 anos, pré-selecionado no programa Shell Iniciativa Jovem, que buscou empreender junto ao MBM para lutar em prol da empregabilidade da população negra no Brasil.

“Em um país com legislação para empregabilidade de pessoas com deficiências em empresas temos apenas 1% dessa população empregada. Não basta instalar rampas e alças nos sanitários para quem tem problema de mobilidade se quando são absorvidos não estão em funções de visibilidade. Jovens aprendizes em sua maioria são negros mas não recebem treinamentos para real desenvolvimento sendo colocados em funções básicas administrativas com alto turnover por apenas estarem cumprindo números de obrigatoriedade sob legislação. ” diz Alan Soares.

Especialistas apontam que as lideranças das empresas tampam os olhos e se distanciam do desafio da Inclusão, por ignorarem o assunto e/ou falta de engajamento.”Treinamentos, mentorias, benchmark para gestores, RH e todos os funcionários são partes de um programa maior de inclusão, desenvolvimento e oportunidades para estes profissionais em todos os níveis da empresa, principalmente nos postos estratégicos onde a representatividade e alinhamento da prática com o discurso devem ser intensos. Empresas como Thoughtworks, Bayer , Adiq e Trader Brasil são exemplos de como posicionamentos das suas lideranças, dentro e fora do escritório, tornam-se pilares para a construção de políticas para Inclusão e equidade entre Diversidades” complementa Nina.

MBM Finanças: Taxa de Juros Nominal ou Real, do que se trata?

Mesmo que a passos lentos estamos em tempos de retomada da economia. O mercado empreendedor está aquecido onde um movimento anterior de startups inovadoras têm trazido um diferencial para possíveis investimentos no país. Pode parecer otimista demais, talvez seja mas precisamos cada vez mais dentro da comunidade negra ampliarmos nosso conhecimento e mudarmos a maneira que lidamos com nosso DINHEIRO. Sim, a palavra dinheiro não faz mal algum, pelo contrário falar de consumo consciente, investimentos e circulação de riqueza demonstra uma sociedade com maior acesso a determinantes sociais que limitam ou expandem o verdadeiro crescimento e fortalecimento da rede afroempreendedora B2B2C.

O Movimento Black Money neste artigo trata com linguagem simples e exemplo práticos conceitos que podem ser dúvidas para iniciantes no mercado financeiro: Taxa de Juros Nominal ou Real?

Taxa de Juros Nominal ou Real

Podemos definir como taxa de juros a diferença entre o valor pago e o valor recebido em função do tempo. As taxas de juros beneficiam os poupadores fazendo com que seu capital se torne maior ao longo do tempo. Em contrapartida as taxas de juros tornam os bens comprados a prazo mais caros pois é necessário remunerar aquele que cede o crédito com juros.

Se uma pessoa faz uma aplicação de R$1.000,00 e ao final de determinado período de tempo ela recebe R$ 1.100,00 podemos dizer que a taxa de juros recebida foi de 10% (diferença entre o valor pago e o valor recebido). Um exemplo para a tomada de um crédito é que determinada pessoa pode comprar um veículo que custa R$30.000,00 e fazer um financiamento de um ano pagando pelo veículo um valor total de R$37.000,00, neste exemplo temos uma taxa de juros de 23,33% ao ano.

As taxas de juros podem ser classificadas em diversas formas, neste artigo trataremos sobre as taxas de juros nominais ou aparentes e as taxas de juros reais. A taxa de juro seja ela nominal ou real, são também classificadas em função do tempo podendo ser anual, semestral, bimestral, mensal, ou mesmo diária.

Taxa de Juros Nominal ou Aparente

 As taxas de juros nominais são aquelas em que a taxa de juros é um valor aparente, e não representa o custo efetivo do dinheiro seja ele recebido ou desembolsado. Veja o exemplo abaixo:

Um cliente realiza um investimento de R$ 100.000,00 a ser recebido no período de um ano, para fins didáticos havíamos estabelecido que o valor do investimento a ser recebido no final deste ano é de R$ 110.000,00. Entretanto neste período tivemos uma taxa de Inflação na ordem de 9,00%.(Inflação é aquilo que destrói o seu poder de compra)

Esta taxa não é uma taxa real, pois  não é considerado por exemplo o valor da inflação neste período.  Por isso é chamada de Juros Nominal ou Aparente. O mesmo se aplica a um empréstimo, veja:

Uma empresa de Factoring empresta o valor de R$ 20.000,00 a um cliente para receber ao longo de um ano o valor de R$ 30.000,00. Porém,  o cliente tomador do crédito paga uma taxa 10% sobre o valor dado a título de empréstimo (R$ 3.000,00) para fins de emissão de contrato também da aquisição de um seguro.

A taxa nominal é calculada apenas considerando-se o valor recebido a título de empréstimo, não levando em consideração a taxa de contratação. Temos então neste exemplo uma taxa nominal de 50% pois não são considerados os demais custos.

Taxa de Juros Real

As taxas de juro real, em contrapartida levam em consideração a inflação e todos os demais custos envolvidos na negociação. Vamos calcular a taxa real dos exemplos mostrados acima.

Um cliente realiza um investimento de R$ 100.000,00 ao ser recebido no período de um ano, para fins didáticos havíamos estabelecido que o valor do investimento a ser recebido no final deste ano é de R$ 110.000,00. Entretanto neste período tivemos uma taxa de Inflação na ordem de 9,00%

Taxa de Juros Nominal ou Real

Podemos perceber então que com o efeito da inflação a rentabilidade do investimento apesar de ser boa ficou praticamente zerada. O calculo da taxa real é extremamente importante, pois a mesma demonstra quando um investimento é valido ou não.
Veja a aplicabilidade no exemplo 2:

Uma empresa de Factoring empresta o valor de R$ 20.000,00 a um cliente para receber ao longo de um ano o valor de R$ 30.000,00. Porém,  o cliente tomador do crédito paga uma taxa 10% sobre o valor dado a título de empréstimo (R$ 3.000,00) para fins de emissão de contrato também da aquisição de um seguro.

Considerando o exemplo acima, levamos em consideração que do empréstimo realizado de R$20.000,00 ainda são pagos R$3.000,00 a títulos de taxas de contratação seguro, sendo liberado ao tomador do crédito apenas R$ 17.000,00. Neste caso teríamos então uma Taxa Real de 56,66%.

 Uma dica para provas de concursos para um cálculo rápido da taxa real, é que ela é sempre pouco menor que o simples desconto da inflação. Considerando o exemplo 1, o simples desconto da inflação da rentabilidade (10% – 1%) teríamos uma taxa anual de 1%, pouco superior a taxa real calculada utilizando a fórmula que ficou em 0,91% ao ano.

Nada complicado não é mesmo? O Movimento Black Money está disposto a enegrecer questões de diversas áreas e complexidades. Caso tenha alguma duvida ou sugestão de temas que gostaria que fossem abordado no mundo das finanças deixe seu comentário no post.  E não esqueça de compartilhar o conteúdo com sua rede.

Equipe MBM

Um Chamado Revolucionário # The Call for Revolution

Desabafo do Big, da banda Dois Africanos:

Que Deus tenha misericórdia dos Brancos e que a sua mão mude os corações deles. Nós, Pretos do mundo precisamos aprender a mostrar que existimos e que estamos unidos. Não devemos apenas mostrar a nossa indignação nessas condições (caso da Marielle). Devemos viver a negritude ao cotidiano. Devemos representar as origens em toda hora e todo momento. Devemos apoiar uns aos outros a todo momento. Nós, Negros devemos nos libertar entre nós, devemos quebrar as cordas mentais que não nos deixam nos amar. E nessa luta cada irmã e irmão é uma peça capital. Devemos se tornar UM Só. Superar a separação e desunião implantada em nós pela supremacia branca. Ser Negro deve ser signo de esperança para o mundo e não ser os servidores dos outros. Nós, somos os que sofreram e hoje ainda continuamos de lutar para poder viver. Irmãs e irmãos da diáspora africana, vocês sabem quanto a África chora por vocês ? Vocês sabem quanto fraca ela ficou depois que arrancaram vocês dos braços dela? A mãe cujos filhos foram tirados dela em condições humilhantes e que até hoje sente um vazio? O pior é ver que séculos depois, esses filhos continuam sendo tratados dessa forma. Condenados a viver o mesmo massacre dos tempos tristes da escravização nos dias de hoje nas terras que eles na maior parte construíram ao custo das suas vidas.

Mas tenham a esperança de uma vida melhor. Liguem as mentes e desliguem as TVs. E se essa é a vida que eles acham que nós merecemos então lutaremos se for necessário ao custo das nossas vidas para que isso PARE.

Vivian MOUVI (Big), “Os gritos de um africano no Brasil”

#EuSouALuzNegra
#MarielleOntemMarielleHojeEMarielleSempre

Outburst of Vivian Mouvi from the “Dois Africanos” band:

God have mercy on Whites and may His hand change their hearts. We together, the Blacks of the world, need to learn to show that we exist and that we are united. We must not only show our indignation under these conditions (Marielle’s case in brazil). We must live Black conscious in our daily life. We must represent our origins at all time. We must support each other at all time. We Blacks must break free, even between ourselves, we must break the mental shackles that do not let us love. And in this struggle each sister and brother is a great piece. We must become ONE. Overcoming the separation and disunity implanted in us by white supremacy. Being Black should be a sign of hope for the world and not be the servants of others. We are the ones who suffered and today we still struggle to live. Sisters and brothers of the African diaspora, do you know how much Africa cries for you? Do you know how weak it got after they yanked you out of its arms? The motherland whose children were taken from her in humiliating conditions and who even today feels a void? The worst is to see that centuries later, these children continue to be treated that way. Condemned to live the same massacre of the sad times of enslavement these days in the lands that they mostly built at the cost of their lives.

But hope for a better life. Turn on the minds and turn off the TVs. And if this is the life they think we deserve, then we will fight if it is necessary, at the cost of our lives for it to STOP.

Vivian MOUVI (Big), “The screams of an African in Brazil”

#EuSoualuzNegra
#MarielleOntemMarielleHojeEMarielleSempre

Dia Internacional Contra a Discriminação Racial

21 de Março – Dia Internacional Contra a Discriminação Racial

É no mínimo inocente falar de métodos para erradicar o racismo no Brasil sem entender o contexto histórico de uso do racismo como base estrutural de poder socioeconômico e político. Preto é feio. Escuridão são trevas. Tradições são cultos ao diabo… todas estas e outras incursões inseridas no subconsciente do escravizado e colonizador perduram até hoje. O Racismo é uma das técnicas mais antigas e eficazes de detenção, manutenção de poder e status quo.
Diferentes formas de escravidão foram embutidas e se mantêm até os dias de hoje em nosso extrato social.
A população negra no Brasil sofre com a falta de apoio e estrutura em todas as frentes: educacional, saúde, empreendedorismo, inovação e tecnologia. O plano de embranquecimento e “higienizacao” social mantém-se ativo e diário com o genocídio da população negra.

“1) A Escravidão lançou as bases do sistema econômico internacional moderno.
A infraestrutura maciça necessária para transportar entre 8 a 10 milhões de africanos através de oceanos, de um lado do mundo para o outro lado do mundo literalmente gerou cidades inteiras na Inglaterra (como Liverpool e Manchester) e na França ( Bordeux, por exemplo). Ele foi fundamental para a emergência de Londres como capital mundial do comércio, e para estimular o crescimento de Nova York como um centro de finanças. A indústria de construção,manutenção e reparos, financiamento, preparação de pessoal, e a tarefa administrar os milhares de navios que fizeram cerca de 50.000 viagens individuais era por si só um conjunto de tarefas hercúleas. As redes financeiras internacionais necessárias para coordenar, manter e distribuir os lucros obtidos com a escravidão definiram o modelo economico vigente hoje em dia na economia global.

2) As habilidades econômicas dos africanos foram também razão para sua escravização.
Os africanos possuíam algumas experiências únicas que os europeus não dominavam. Os africanos sabiam como praticar o cultivo agrícola em climas tropicais e semi-tropicais. Produtores de arroz africanos, por exemplo, foram capturados a fim de trazer seu conhecimento agrícola para a América Antilhana. Muitas civilizações do Oeste Africano possuíam ourives e metalúrgicos especialistas em obras e construçoes de grande escala e foram decisivos para o sucesso dos empreendimentos coloniais. Escravos mestres nessas tecnologias foram usados para trabalhar, por exemplo, nas “Minas Gerais”.

3) O “know-how” africano transformou as economias escravistas em alguns dos países mais ricos do planeta.Os frutos do tráfico de escravos financiaram o crescimento de impérios globais.
4) As denúncias de que o exército brasileiro que lutou na guerra do Paraguai (1864-1870) era formado por escravos não são novas. Seus primeiros autores foram os redatores dos jornais paraguaios da época. Tratavam de menosprezar o exército brasileiro com base no duvidoso argumento de que, por ser formados por negros, deveria ser de qualidade inferior. Mais recentemente, diversos autores tentaram ressuscitar o argumento de que o exército brasileiro era formado por negros escravos alistados compulsoriamente. Soldados negros, ex-escravos ou não, lutaram em pelo menos três dos quatro exércitos dos países envolvidos.
Os exércitos paraguaio, brasileiro e uruguaio tinham batalhões formados exclusivamente por negros. Como exemplos, temos o Corpo dos Zuavos da Bahia e o batalhão uruguaio Florida. Além do que, foi difundido pelo “governo” que todos os negros que fossem lutar na guerra, ao retornar receberiam a liberdade e os já livres receberiam terra.Uma promessa que nunca foi cumprida.
Outro aspecto envolvido na questão é que quando chegava a convocação para o filho do fazendeiro, ele o escondia e no lugar do filho enviava de cinco a dez negros. Antes da guerra do Paraguai, a população negra do Brasil girava em torno de 2 milhões e 500 mil pessoas, ou seja, 45% do total da população brasileira. Depois da guerra esse número caiu para cerca de 1 milhão e 500 mil pessoas,ou seja, cerca de 15% do total da população brasileira.

5) A brutalidade e a tortura psicológica de escravos era uma ferramenta utilizada pelo sistema para para garantir que as plantações como unidades de geração de lucros mantivesse bons níveis de produção e de retorno financeiro aos investidores. Revoltas de escravos e atos de sabotagem eram relativamente comuns. Como empresas econômicas, a interrupção da produção afetava negativamente os negócios. Ao longo do tempo um sistema organizado de opressão foi institucionalizado para manter as coisas nos eixos . A torura pública era um meio eficaz de evidenciar o destino reservado aos escravos mais recalcitrantes e aos negros rebeldes. Foi assim que o Pelourinho ganhou notoriedade.
6) A preocupação pelo destino do escravo se mantivera em foco enquanto se ligou a ele o futuro da lavoura. Ela aparece nos vários projetos que visaram regular, legalmente, a transição do trabalho escravo para o trabalho livre, desde 1823 até a assinatura da Lei Áurea. Com a Abolição pura e simples, porém, a atenção dos senhores se volta especialmente para seus próprios interesses. A posição do negro no sistema de trabalho e sua integração à ordem social deixam de ser matéria política.
7) O Morro da Favela (atual Providência), que aparece na referida novela foi o primeiro destino de negros no pós-abolição carioca. Após a Lei Áurea, os negros libertos foram buscar moradia em regiões precárias e afastadas dos bairros centrais das cidades. Uma grande reforma urbana no Rio de Janeiro, em 1904, expulsou as populações pobres para os morros.

8) O 2º ATO OFICIAL: LEI COMPLEMENTAR À CONSTITUIÇÃO DO IMPÉRIO DE 1824 – Esse texto complementar proibia os negros (e os leprosos) de frequentar escolas, pois eram considerados “doentes e portadores de moléstias contagiosas.”Os poderosos do Brasil sabiam que o acesso ao saber sempre foi uma alavanca de ascensão social, econômica e política de um povo. Com este decreto, os racistas do Brasil encurralaram a população negra nos porões da sociedade. Juridicamente este decreto agiu até 1889, com a proclamação da República. Na prática a intenção do decreto funciona até hoje. Por exemplo: por que as escolas das periferias não têm, por parte do governo, o mesmo tratamento qualitativo igual ao das escolas das cidades? Como é que uma pessoa afrodescendente favelada terá motivação para estudar numa escola de péssima qualidade? O desejo de manter a opressão econômica sobre as populações afrodescendente é a realidade crua da sociedade brasileira.

9) O 3º ATO OFICIAL: LEI DE TERRAS DE 1850, N.º 60 – Quase todo o litoral brasileiro estava povoado por QUILOMBOS. O sistema, percebendo o crescimento do poder econômico do negro e que os brancos do interior estavam perdendo a valiosa mão -de- obra para sua produção, decreta a LEI DA TERRA. A partir desta nova lei as terras só poderiam ser obtidas através de compra. Assim, com a dificuldade de obtenção de terras que seriam vendidas por preço muito alto, o trabalhador livre teria que permanecer nas fazendas, substituindo os escravos.
A partir daí o exército brasileiro passa ter como tarefa, destruir os quilombos, as plantações e levar os negros de volta as fazendas dos brancos. O exército exerceu esta tarefa até 25 de outubro de 1887 quando um setor solidário ao povo negro cria uma crise interna no exército e comunica ao Império que não mais admitirá que o exército seja usado para perseguir os negros que derramaram seu sangue defendendo o Brasil na guerra do Paraguai. No detalhe: A lei de terras não foi usada contra os imigrantes europeus.

10) 7º ATO OFICIAL: DECRETO 528 DAS IMIGRAÇÕES EUROPÉIAS (1890) – No poder, o partido Republicano coloca como prioridade a industrialização do pais. A indústria precisava de matéria prima e mão de obra. A matéria prima no Brasil não era problema. Quanto à mão de obra, o povo negro estava aí, disponível para ser treinado e produzir os efeitos esperados. Mas o eurocentrismo ditado pela Eugenia racista das elites brasileiras, falou mais alto, e a mão de obra passou a ser problema quando o governo descobriu que se o negro ocupasse as vagas nas indústrias, iria surgir uma classe média negra poderosa e colocaria em risco o processo de embranquecimento do país. A solução decretada no dia 28 de junho de 1890 foi a reabertura do país às imigrações europeias e definir que negros e asiáticos só poderiam entrar no país com autorização do congresso.”
Texto adaptado do Correio Nago

#MariellePresente

Quem matou Marielle Franco?

Foucault defendeu que o exercício fundamental do poder se dá no controle que ele exerce sobre a vida e morte. O Rei, por exemplo, tinha como parte central do seu exercício de poder o direito de matar. Concedido seja por deus, seja pelo sistema de justiça, pelo pensamento filosófico, político, pela cultura da época, o Rei era quem poderia decidir se um súdito morreria ou não. Com o advento da modernidade, do avanço da científico, de um novo modelo econômico, de pensamento o exercício do poder do Estado Moderno se exerceria sobre duas frentes: “sobre o fazer viver e o deixar morrer”.

O Estado, na aparência, não teria mais o poder de matar como era o ponto central do poder do Rei. Com o advento da ciência, de um domínio maior sobre a produção alimentar, controle das doenças, avanço tecnológico, o Estado seria aquele que faria viver uns e deixaria para morrer outros. A grande estrutura na qual o Estado Moderno exerceria o seu poder sobre vida e morte seria o Racismo. O Racismo é o grande aparato estrutural que o Estado lançaria mão para decidir quem vive e quem morre. O Racismo é quem definirá quais corpos vivem e quais corpos podem morrer. Quais corpos tem valor e quais corpos não tem. Um exemplo atual, poderia ser este: sabe-se que a maioria das doenças se derivam de falta de saneamento básico, quando o Estado no uso do seu Dinheiro e da Política, escolhe não investir em saneamento básico em comunidades pretas e pobres, ele esta exercendo o seu poder deixando essas pessoas para morrer, igualmente quando decide por hospitais aqui e não acolá.

Um amigo sabedor de como o racismo é o esqueleto do brasil, é a grande explicação para o porque somos o que somos e estamos como estamos, argumentou que a Marielle é uma vítima do racismo. Para dar exemplo ele disse que a desgraça sempre se manifesta no corpo negro. Dezenas de pessoas foram presas nos protestos de 2013, mas foi o corpo preto do Rafael Braga que o sistema legal escolheu eternizar sua desgraça. Dezenas de deputados, incluindo Marcelo Freixo, denunciam as máfias que permeiam essa cidade, mas é no corpo negro da Marielle que a reação dessa máfia se manifesta.

Aí uma menina branca começou listar algumas pessoas brancas que foram assassinadas, isso como argumento de que o que se passou com a Marielle não tem nada a ver com racismo. Essa menina branca queria disputar mortos na desgraça brasileira? Iria respondê-la, mas estou desde ontem tentando controlar minha pressão, meus nervos, minha calma, meu estado de nervos que toda hora me leva a chorar para desperdiçar esse esforço com alguém com este tipo de argumento. Preferi enviar a mesma apenas um vídeo…

Nota-se que o RACISMO é o que da sentido ao BRASIL. Após estruturar minimamente esse país usando o corpo negro como burro de carga. O Brasil colonial e racista convida brancos pobres de todo mundo para vir clarear o Brasil, para tal, concede a esses brancos terras, direitos e sobretudo um modelo civilizatório inspirado na Europa.

Os Brancos vieram. O Brasil gerido por Brancos coloniais e escravocratas escolheu entre os modelos de gestão oferecidos pela Europa branca e escravocrata, alguns que ainda mantivesse o grande sentido colonial (escravocrata e racista) do brasil, aliás, motivo no qual ele foi gestado.

O Brasil foi parido por brancos europeus, para servir aos desígnios da colonização européia, este papel que cumpre até hoje. Se depois de 500 anos de Gestão Branca, sobre modelo civilizatório branco, inspirado no direito romano branco, sobre uma matriz religiosa oficial branca, a partir de modelos culturais e de pensamentos brancos, numa estrutura de cidade branca, numa estrutura racista que rebaixa o corpo negro a coisa e coloca o branco como centro gestor da humanidade ainda há brancos pobres e brancos que sofrem da violência deste Estado Branco o que eu, um homem preto, tem a ver com isso?

Queria só dizer pra moça é que se brancos morrem no mundo branco devem é reclamar com seus irmãos brancos que geriram, gestão este território usando o corpo negro como burro de carga. Tal qual eu responsabilizo os grandes feitos dos meus ancestrais para o tanto de “liberdade” que eu posso exercer nessa desgraça, as pessoas brancas devem responsabilizar seus antepassados  de que mesmo num mundo branco não terem sido capazes de livrar seus descendentes da pobreza.

Foi o racismo brasileiro que matou a Marielle, seja lá quem tiver puxado o gatilho. Todas as desestruturações existentes no Brasil derivam da sua história branca e sua gestão branca. O Estado brasileiro é um Estado inspirado no mundo branco, pra servir a brancos, sobre a gerencia branca. Sua falência é responsabilidade da branquice que o gesta e dirige. Olhem a cor da classe política, olhem a cor dos comandos do Exército, olhem a cor dos juizes, do que for – foram brancos ontem e são brancos hoje. Quando há um preto ele se movimento numa estrutura branca, europeia, colonial, racista, escravocrata, ou seja, numa estrutura Brasileira. Meus irmãos e irmãs, não foi a milícia, a pm, ou seja lá quem for, que matou a Marielle. Foi o Estado Branco Colonial Brasileiro. O que matou a Marielle foi o Brasil e o brasil é uma Colônia que se assenta e se explica pela escravidão e pelo uso desumano dos corpos negros. Como bem disse o branco Foucault é com o racismo que os Estados modernos salvam seu poder, ou seja, seu direito de matar!

Texto de Jonathan Oliveira Raymundo.